Rio - O Ministério Público do Rio vai tentar impedir novamente a derrubada da Perimetral para a realização das obras do Porto Maravilha. A decisão será tomada depois de uma audiência pública, convocada para esta quarta-feira, para discutir pontos “frágeis” no projeto. Por acordo com a prefeitura, a retirada do elevado está suspensa até agosto para que o plano inicial fosse modificado.
“Eles estão começando tudo de trás pra frente. Não existe um diagnóstico seguro e, muito menos, um prognóstico confiável”, disse o promotor José Alexandre Maximino Mota.
Pelo acordo, o município vai inaugurar uma avenida binária (mão-dupla sem divisão) com três faixas em cada sentido antes da eventual demolição. “Eles parecem ignorar o fluxo que vem de Niterói, São Gonçalo e Baixada. O nó que deu no trânsito mostra que não pensaram em medidas mitigatórias”, disse Mota.
O presidente da Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio, Alberto Gomes Silva, explicou que foi elaborado um parecer técnico mais completo para atender aos questionamentos do órgão. A demolição da Perimetral faz parte da revitalização da Zona Portuária.
Para substituí-lo devem ser construídas duas vias (uma binária e uma expressa), além de malha de 28 quilômetros para Veículos Leves sobre Trilhos (VLT). “O que não se pode fazer é questionar o conceito pelo detalhe. É natural que a execução das obras apresente cenários que mudem o projeto inicial”, ressaltou Silva.
Para o especialista em Transportes da Uerj, Alexandre Rojas, o projeto é bem conceituado, mas a execução está sendo prejudicada pela falta de estudos detalhados.