Faixas exclusivas para ônibus no país inteiro

Custo para instalar 4 mil quilômetros de pistas seria de R$ 5 bilhões. Municípios do Grande Rio já podem apresentar seus projetos para requerer as verbas federais

Por O Dia

Rio - Não é novidade para ninguém que o Brasil vive uma crise de mobilidade urbana. O caos é fácil de se resumir: tem mais veículos do que espaço nas ruas. A questão é que, na maioria das vezes, os ônibus ficam presos em engarrafamentos produzidos por carros particulares. A Associação Nacional das Empresas de Transporte Urbano (NTU) quer mudar este cenário e tirar os coletivos dos congestionamentos. Para isso lançou na última quarta-feira um programa emergencial para implantação de 4 mil quilômetros de faixas exclusivas em 46 municípios (todas as capitais e cidades com população superior a 500 mil habitantes) nos próximos 12 meses. A demanda de recursos é da ordem de R$ 5 bilhões. E prefeituras da Região Metropolitana do Rio estão contempladas.

A proposta está sendo analisada pelo Ministério das Cidades, que já sinalizou que ela atende à Lei de Mobilidade Urbana e possivelmente será aprovada. Porém, uma das regras do PAC da Mobilidade, que é de onde deve sair o dinheiro, é que somente governos estaduais e municipais podem receber as verbas. Sendo assim, o que se espera de agora em diante é uma corrida para apresentação do detalhamento dos projetos. Na Região Metropolitana do Rio a indicação da NTU é para que os prefeitos busquem a Federação das Empresas de Transportes de Passageiros (Fetranspor) para ter o apoio técnico.

Na Avenida Presidente Vargas%2C sistema BRS reduziu o tempo de deslocamento dos ônibus em até 20%Maíra Coelho / Agência O Dia

De acordo com o presidente da NTU, Otávio Cunha, os projetos requerem soluções simples, “sem intervenções físicas relevantes e com retorno imediato para o usuário.”
Ele apresentou como exemplos bem sucedidos do sistema de faixas exclusivas as experiências no município do Rio, em São Paulo e Goiânia. No caso do resultado carioca, o BRS da avenida Presidente Vargas reduziu em 20% o tempo das viagens, diminuindo também a frota de coletivos em 10%. O BRS Copacabana teve aproveitamento ainda melhor: 50% menos tempo e 20% dos ônibus puderam ser retirados de circulação. Na média do país, o que se espera com as faixas seletivas é reduzir o tempo de viagem em até 40%. Com isso, o custo operacional dos coletivos baixaria cerca de 25%. O custo para implementação de cada quilômetro varia de R$ 100 a R$ 500.

Projeto eficiente e barato

?O coordenador do Movimento Nacional pelo Direito ao Transporte, Nazareno Stanislau Affonso, lembrou que, inicialmente, o projeto de faixas exlusivas para ônibus está previsto para cidades com mais de 500 mil habitantes, mas nada impede que municípios menores também sejam contemplados.

“O governo federal tem dito que faltam boas propostas. Agora não têm do que reclamar, estamos dando tudo mastigado. É um projeto eficiente, de resultado rápido e custo baixo. A ideia principal é priorizar o transporte público. Acho que todo município que tem engarrafamento deve ter faixa exclusiva”, avaliou, lembrando que, até agora, as políticas de transporte estão privilegiando os usuários de carros e penalizando os mais pobres, que dependem dos ônibus.

Especialista em projetos de mobilidade urbana, ele lembra que o certo seria incentivar o transporte de massa, a redução do diesel e a renovação da frota de coletivos. “Até aqui, o Ministério do Planejamento é o pai dos engarrafamentos e a madrasta má do transporte público”.

São Gonçalo se prepara para sair na frente

A cidade de São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio, quer sair na frente para receber as faixas exclusivas para os ônibus. O membro da comissão da Mobilidade Urbana e vereador Armando Marins disse que vai levar a ideia adiante amanhã mesmo. “Vou conversar com o prefeito. Isso é ótimo. Porque os coletivos quase sempre estão parados nos engarrafamentos dos carros de passeio. Com as seletivas, vai ser muito mais rápido. Até agora, não temos metrô, trens ou barcas. Por isso o ônibus é tão importante para a nossa população, que está em torno dos 1,2 milhão de habitantes”, diz.

Em São Gonçalo%2C o projeto é reduzir o tempo de viagem dos ônibus que hoje ficam presos no trânsitoAlessandro Costa / Agência O Dia

De acordo com a NTU, a Fetranspor já fez a análise de quantas e quais cidades têm o perfil para receber as seletivas. Neste momento o que está sendo estudado são detalhes e características de cada uma delas. A implantação das faixas acontece em curto prazo, num período de 1 a 6 meses. Outra vantagem é que, na maioria das vezes, não é preciso fazer desapropriações, uma vez que se utiliza as vias já existentes. A redução no consumo de combustível é da ordem de 30% e a emissão de poluentes caem 40%. “Além do ganho operacional e do impacto positivo na mobilidade, tem a questão da saúde. Estamos falando aqui de menos doenças respiratórias e de um trânsito melhor, o que evitará a depressão de muitos motoristas”, avaliou Marins, que também é médico.

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