Por thiago.antunes

Rio - Elaboradas para aumentar a velocidade do transporte público, as faixas preferenciais de ônibus (o BRS - Bus Rapid System) estão sendo invadidas por táxis sem passageiros, contrariando a legislação. Em apenas uma hora de observação, na quinta-feira, das 17h45 às 18h45, a equipe do DIA flagrou 137 táxis “livres” trafegando pelo corredor BRS da Avenida Nossa Senhora de Copacabana, na Zona Sul.

Além disso, neste mesmo período, foram flagrados três taxistas apanhando passageiros dentro das pistas separadas pela linha azul contínua. Pelas normas da prefeitura, os táxis não podem trafegar vazios e nem pegar ou deixar passageiros nos corredores BRS. Entretanto, a fiscalização deixa a desejar. Em todo o período em que a equipe do DIA permaneceu na via não encontrou agentes da Guarda Municipal, que são os responsáveis por reprimir essas infrações.

Infração dupla na Avenida Nossa Senhora de Copacabana%3A táxi trafega vazio pela faixa do BRS e ainda pega uma passageira na pista do meioMaíra Coelho / Agência O Dia

Na Zona Norte, também é comum ver um verdadeiro desfile de táxis sem passageiros na única faixa do BRS da Marechal Rondon, que liga os bairros do Méier e Maracanã, também sem presença dos agentes. Na opinião do gerente de Políticas Públicas do ITDP (sigla em inglês para Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento), Pedro Torres, mesmo que o táxi tenha um papel complementar na mobilidade urbana, os veículos não devem atrapalhar o transporte coletivo.

“O privilégio deve ser direcionado ao transporte de massa, para que haja melhorias, como o ganho de tempo”, avalia. De acordo com a Guarda Municipal, em 2013, foram aplicadas 12.306 multas por tráfego irregular em faixas de circulação preferencial para ônibus. Entretanto, o órgão não informou quantas, desse total, foram aplicadas contra táxis.

Pelas normas da prefeitura%2C circulação de táxis sem passageiros é proibida nas pistas do BRSMaíra Coelho / Agência O Dia

O trabalho de fiscalização dos agentes é dificultado pelos vidros escuros de muitos veículos, que impedem a visibilidade do interior do automóvel. Além disso, principalmente durante o dia, é difícil notar a luz indicativa de que o táxi está livre, no teto do veículo. 

O presidente da Associação dos Taxistas do Brasil (Abratáxi), Ivan Fernandes, avalia que o BRS deveria ser revisto para que os corredores atendessem a todos os públicos e não só os ônibus. “É necessário pensar uma solução para as pessoas idosas, por exemplo, que têm dificuldade de atravessar a rua. O táxi tem que fluir bem para ser alternativa ao automóvel particular”, ressaltou.

Na Rio Branco, embarque e desembarque serão proibidos

Com as novas mudanças no Centro do Rio, a fiscalização terá mais um desafio a partir do dia 16. Os táxis serão proibidos de pegar e deixar passageiros na Avenida Rio Branco, da Cinelândia à Candelária, que terá mão dupla. 

Embarque e desembarque de passageiros também é proibido nas faixasMaíra Coelho / Agência O Dia

Em São Paulo, a prefeitura foi mais radical do que no Rio e anunciou que, a partir de 30 de setembro, os táxis serão totalmente excluídos dos corredores de ônibus. O motivo é que estudo mostrou que haveria aumento em até 25% na velocidade dos coletivos, sem a presença dos táxis.

O professor de Engenharia de Transportes da UFRJ Paulo Cezar Ribeiro avalia, no entanto, que a exclusão do táxi da faixa preferencial do ônibus é delicada. “É difícil ser categórico, pois, se o táxi passar a trafegar na pista comum, o usuário pode migrar para o veículo particular, já que perderá o diferencial”, explicou.

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