Por daniela.lima

Rio - A quarta estação do metrô na Tijuca, a Uruguai, deve ser inaugurada até o fim do mês, não na rua que dá seu nome, mas na Conde de Bonfim. Ela põe fim a uma espera de 32 anos dos moradores do bairro da Zona Norte, desde que, em 1982, foram abertas as estações Saens Peña, São Francisco Xavier e Afonso Pena. A Uruguai, prometida para o mesmo ano, ficara no papel. 

Flávia Martins%2C moradora da Rua Uruguai%2C aguarda ansiosa a abertura da nova estação do metrô para não ter mais de pegar o ônibus de integração até a Praça Saens PeñaFernando Souza / Agência O Dia


Encerram-se também quase quatro décadas de polêmicas em torno da utilização do Rabicho da Tijuca, trecho escavado nos anos 70 entre as ruas Itacuruçá e José Higino que, ao invés de dar origem a outro traçado sob a terra naquela época, virou estacionamento e, somente em 2011, serviu de base subterrânea para as obras.

Além dos futuros passageiros, que esperam fugir do trânsito com o metrô, comerciantes e investidores também já comemoram a valorização e o maior fluxo de pessoas na região com o novo terminal. Devido à aproximação da Copa do Mundo, as obras foram aceleradas e terminaram em fevereiro. Agora, estão na fase de testes e, segundo a Secretaria Estadual de Transportes, pode ser inaugurada ainda no final desta semana, hipótese não confirmada pelo Metrô.

O novo terminal final da Linha 1 (substituindo a Estação Saens Peña nesta função) terá cinco acessos: dois na Conde de Bonfim, dois na Rua Itacuruçá e um na Rua Delfina. A concessionária estima que cerca de 25 mil pessoas por dia usarão a nova estação.

Para o especialista em Mobilidade Urbana e professor da Uerj Alexandre Rojas, a nova estação vai ampliar a área de abrangência do metrô, fazendo com que o transporte seja vantajoso para moradores de bairros além da Tijuca. “A estação nas proximidades da Rua Uruguai chega em boa hora. É um alívio para muitas pessoas que moram em toda aquela área da Tijuca, como a Usina, e bairros próximos, como o Grajaú e o Andaraí”, disse.

A concessionária não informou quais integrações com ônibus serão transferidas para o novo terminal, mas afirmou que haverá redução de 46% na quilometragem percorrida pelos veículos de integração (de 132 mil km para 71 mil km por mês).

Ex-engenheiro do Metrô e um dos responsáveis pelo projeto original do Rabicho da Tijuca, Fernando MacDowell, professor de Engenharia Urbana e Ambiental da PUC-Rio, aprova a estação. “A Uruguai representa melhora para a população da Tijuca e para quem frequenta ou trabalha no bairro.” Mas ele critica a falta de atenção do estado e da concessionária a uma demanda fundamental dos passageiros.

“O que mais interessa ao usuário é a rapidez, o tempo que aguarda o trem e que fica dentro do vagão ainda na estação”, afirmou MacDowell, acrescentando que a construção de uma nova área de manobra após a Uruguai daria mais flexibilidade para regular e reduzir os intervalos entre os trens.

A assessoria do Metrô informou que o diretor de engenharia Joubert Flores não foi encontrado para comentar as obras da nova estação. 

Imóveis têm valorização de até 15%

O gerente da unidade Conde de Bonfim da Brasil Brokers avalia que os imóveis de ruas próximas serão valorizados em até 15%. “A proximidade com o Metrô e a melhoria da locomoção certamente valorizam qualquer imóvel. No caso da Tijuca, a nova estação deve beneficiar principalmente os da Rua Uruguai e adjacências.”

Leonardo Schneider, presidente do Secovi, a associação das imobiliárias, lembra que, “principalmente nesse momento de problemas no trânsito, que ainda devem durar mais dois anos, a mobilidade é valorizada.”

Os moradores comemoram a redução no tempo gasto no transporte. A secretária executiva Flavia Martins, de 40 anos, que mora na Uruguai desde que nasceu, espera ansiosa. “Vai ser ótimo não precisar pegar o ônibus de integração para ir à Praça Saens Peña e só depois entrar no metrô”, disse Flavia, animada.

Comércio já lucra de olho no alto fluxo

Mesmo antes da abertura, a Estação Uruguai já atrai comerciantes e investimentos. O dono da rede de restaurantes Otto, Ottmar Grunewald, abriu seu sexto empreendimento na frente de uma das saídas da nova estação, o Otto Café. “Abri a nova loja em dezembro de 2012 por causa do projeto do metrô. Agora que vai abrir espero o aumento do movimento.”

Gerente há sete anos de uma lanchonete na esquina da Rua Conde de Bonfim com a Rua Delfina, a poucos passos de três acessos à nova estação, Cristiano Araújo, de 38 anos, afirmou que lojistas estão atentos à chegada do terminal. “Há vários comerciantes querendo vir para cá. Quando cheguei para trabalhar na Tijuca, era totalmente diferente. Não era uma área valorizada. A circulação de pessoas aqui vai aumentar e isso interessa ao comércio.”

Moradora de um apartamento na Rua Delfina há 46 anos, a aposentada Dulcíola Pinheiro Guimarães usa o metrô quase diariamente para ir a bairros da Zona Sul. “Uma nova estação vai melhorar muito a qualidade da condução para quem mora e trabalha aqui.”

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