Por thiago.antunes

Rio - Considerados cruciais para aumentar a velocidade média comercial dos ônibus e melhorar o transporte público no Rio, principalmente após a interdição do Elevado da Perimetral e do Mergulhão da Praça 15, os corredores BRS têm sido desrespeitados pelos cariocas. Em apenas 30 minutos de observação, a equipe do DIA flagrou ontem, das 17h52 às 18h22, 42 automóveis de passeio e motos circulando na pista que deveria ser exclusiva para ônibus e táxis com passageiros do BRS Estácio-Carioca.

Além disso, no mesmo período, um ônibus da linha 110 e outro da 238 trafegaram por fora da faixa exclusiva, o que também é proibido. Ao todo, foram três infrações a cada dois minutos. A equipe de reportagem fez a contagem das infrações em frente ao número 525 da Rua Frei Caneca, no sentido Centro, e não considerou veículos que fossem fazer conversões à direita, ocasião em que é permitida a passagem pelo corredor BRS.

Carros de passeio trafegam pelas pistas que deveria ser exclusivas para o transporte público. Foram três infrações flagradas pela equipe de reportagem Carlo Wrede / Agência O Dia

No período, não foram encontrados agentes da Guarda Municipal, que deveriam fazer a fiscalização. Em nota, a instituição informou que intensificou as operações nos pontos onde aconteceram as principais mudanças viárias na cidade e que, desde o início da implantação da segunda fase da Operação Perimetral, em 25 de janeiro, os agentes já aplicaram mais de 600 multas na região do Centro, que também inclui o corredor.

A Secretaria Municipal de Transportes informou que também é feita fiscalização por radares eletrônicos. Procurada, a CET Rio, que controla os radares, não respondeu, até o fechamento da edição, quantos aparelhos há no trecho de 4,2 quilômetros do BRS Estácio-Carioca e nem quantas multas foram aplicadas no local. Para o professor de Engenharia de Transportes da Uerj, Alexandre Rojas, o problema é falta de punição. “A educação de trânsito tem um limite. A partir daí, tem que multar. Em Copacabana, funcionou”, afirmou.

Em meia hora de observação%2C na tarde de ontem%2C dois ônibus também foram vistos circulando fora das faixas do BRS%2C onde deveriam passarCarlo Wrede / Agência O Dia

Além de sair do corredor, coletivo não para no ponto

Um dos ônibus flagrados fora da faixa destinada aos coletivos foi o da linha 238 (Água Santa-Praça 15), que cometeu outra infração ao não parar para os passageiros que estão no ponto. A advogada Denise Silva, de 55 anos, que estava na parada localizada em frente ao Hospital Geral da Polícia Militar, no Estácio, sentido Centro, foi uma das “vítimas” do mau comportamento do motorista. “É um absurdo. Quero ir à Praça 15 e o ônibus passou por fora. Vou ter de esperar outro agora, mesmo cheia de pressa”, disse.

Em nota, a Rio Ônibus (associação das empresas) afirmou que o comportamento indevido de alguns motoristas não está de acordo com o treinamento que recebem para trafegar pelos corredores exclusivos e ainda pediu para que a população telefone para a Central de Relacionamento com o Cliente (0800 886 1000), quando ocorrer qualquer problema.

A Rio Ônibus esclareceu ainda que “os casos descritos pelo DIA são pontuais e não retratam a realidade da operação realizada no BRS Carioca, por onde passa diariamente uma frota de 1.040 ônibus, distribuída em 68 linhas”. Segundo a instituição, o corredor recebe por hora aproximadamente 229 veículos de transporte coletivo de passageiros.

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