Por marlos.mendes

O trânsito e o transporte público são as questões que mais preocupam os gestores das principais cidades do país. A constatação é do diretor-adjunto da FGV Projetos, Carlos Augusto Costa, que coordenou a pesquisa inédita “Cidades Inteligentes e Mobilidade Urbana”, feita com 262 gestores e funcionários de 31 prefeituras (20 capitais e 11 municípios com mais de 200 mil habitantes).

O trabalho teve o objetivo de discutir soluções para os problemas mais comuns dos centros urbanos e servir de suporte para autoridades das regiões metropolitanas brasileiras terem mais conhecimento das experiências nacionais e mundiais. Apesar de reconhecerem que a mobilidade urbana é a principal preocupação, a pesquisa da Fundação Getúlio Vargas revelou que falta, às autoridades, ação para planejar as soluções. Segundo o estudo, 61% das prefeituras consultadas não têm ou não sabem se têm uma estratégia para a área e 75% ainda não têm um plano de mobilidade.

O trânsito nas capitais, como São Paulo, gera grandes prejuízosWILLIAM CAMARGO/AE/AE

O documento é uma exigência da Política Nacional de Mobilidade Urbana e deve ser entregue até abril de 2015 ao Ministério das Cidades. “Esse atraso pode comprometer a conquista de futuros financiamentos, tão necessários neste momento em que há tendência de mudar a cultura, que até então foi focada no automóvel”, lamentou o diretor-adjunto da FGV Projetos.

Deslocamentos a pé estão em outro item abordado na pesquisa. Segundo Carlos Costa, 30% dos percursos feitos são a pé, o que justificaria que os governantes tivessem maior atenção à infraestrutura para pedestres, como faixas de travessias de vias e conservação das calçadas.

Além disso, o estudo da FGV recomenda reforço às políticas de incentivo para transportes sustentáveis, como bicicletas e carros compartilhados, que podem contribuir para a fluidez do tráfego. “As cidades têm que ficar transitáveis e medidas assim devem ser mais estimuladas. Não só melhoram os congestionamentos como agem sobre de problemas como poluição e até dificuldade para encontrar vaga para estacionar”, explicou Costa.

Ainda de acordo com Costa, a tecnologia foi apontada por 100% dos administradores das cidades como uma das ferramentas mais importantes para amenizar os impactos do trânsito na qualidade de vida das pessoas. Porém, apenas 50% das cidades brasileiras utilizaram algum tipo de tecnologia para auxiliar na mobilidade urbana. Além disso, os autores concluíram que, hoje, a tecnologia ainda tem utilidade bastante restritiva e somente exerce o papel de “disponibilizar informações” em tempo real (online). Menos de 20% a usam para efetivamente controlar o trânsito.

“Muitos dos prefeitos ainda têm uma ideia de que a tecnologia deve custar caro, o que não é uma verdade absoluta. Há soluções baratas. Além disso, eles não têm conhecimento do que pode ser feito”, ressaltou Costa.

Projetos de Rio e SP são bons exemplos

As soluções que estão sendo aplicadas na Região Metropolitana de São Paulo e na cidade do Rio de Janeiro foram apontadas como exemplos positivos na pesquisa das Cidades Inteligentes. O mérito dos paulistas se deve à iniciativa da Secretaria de Logística e Transportes do Estado, com apoio da FGV Projetos, de desenvolver um sistema de racionalização do tráfego urbano.

O projeto prevê a implantação de plataformas logísticas em três níveis: remotas nas cidades de Campinas, Sorocaba, São José dos Campos e Santos; as periféricas, junto ao futuro Ferroanel, que deverá correr paralelo ao Rodoanel; e as urbanas, dentro da capital paulistana e arredores.

A estratégia permitirá a utilização mais intensa da ferrovia, o que reduzirá o trânsito de caminhões. Já o Rio foi mencionado devido à derrubada da Perimetral, via elevada projetada ainda na cultura de priorização de carros, e pela opção por investir em transporte público, com os projetos de BRTs e VLT (Veículos Leves sobre Trilhos).

Matéria publicada no Brasil Econômico 

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