Por adriano.araujo

RIo - Os planos para o futuro da mobilidade urbana elaborados pelas campanhas de Anthony Garotinho, Lindberg Farias, Luiz Fernando Pezão e Marcelo Crivella preveem soluções para problemas endêmicos do estado, especialmente o curto alcance do transporte sobre trilhos. Mas a criação de novas linhas de metrô nem sempre será a melhor solução. Esta é a conclusão majoritária entre os professores Aurélio Soares Murta (UFF), Alexandre Rojas (Uerj), Mauro Osório (UFRJ) e Eva Vider (UFRJ), especialistas no assunto convidados pelo DIA a comentar as propostas dos quatro candidatos ao governo do Rio mais bem colocados nas pesquisas.

Segundo Rojas, os programas de governo de Pezão e Garotinho acertam ao propor o aporte de recursos para tirar do papel a Linha 3 do metrô, até São Gonçalo. “É tecnicamente viável, pois seriam 600 mil viagens por dia”, afirma. A ideia de Pezão de levar o metrô até Méier e Madureira, contudo, carece de funcionalidade, de acordo com ele: “Essas duas localidades já são atendidas pelos trens.”

Com o aumento dos engarrafamentos%2C mobilidade urbana ganha evidência na campanha para o governoThiago Lara / Arquivo Agência O Dia

A implantação de corredores para ônibus em Niterói, São Gonçalo e Baixada, prevista por Pezão, é questionada por Murta. “Por que BRTs, e não trens e metrô?” O projeto de construir 520 quilômetros de rodovias vicinais, de Garotinho, também foi reprovado por Murta. “Só 520? O estado necessita de muito mais para a integração das cidades pequenas às rodovias já existentes.”

A proposta de Lindberg de transformar trens em metrô de superfície não faz sentido, opina Murta. “Trata-se de erro conceitual, uma vez que a maior parte das linhas já é de superfície.” Para o professor da UFF, “é vago” o projeto de Crivella para integrar os modais. “É preciso que se façam estudos sobre as origens e os destinos da população, de modo que se possa planejar a integração.”

Eva Vider adverte que a mobilidade não pode estar separada do conceito de cidade sustentável. “É preciso aproximar os cidadãos de seus locais de trabalho, das escolas, dos serviços.” Já Mauro Osório acredita que governos e candidatos prezam demais o BRT. “Há uma opção excessiva por BRTs. Deve-se construir uma rede de transportes que tenha os trilhos como eixo estruturante.”

As principais propostas para a mobilidade no estado

?PEZÃO
- Expandir a Linha 4 do metrô até o Recreio
- Levar o metrô até Méier e Madureira
- Tirar do papel a Linha 3, até São Gonçalo
- Construir corredores expressos de ônibus, os BRTs, na Baixada Fluminense (passando por Nova Iguaçu, Mesquita e Nilópolis, entre outros municípios da região) e em Niterói e São Gonçalo

GAROTINHO
- Estender a Linha 4 do metrô até o terminal Alvorada, na Barra da Tijuca
- Construir o projeto da Linha 6 do metrô, do terminal Alvorada, na Barra da Tijuca, até a Ilha do Governador
- Construir a Linha 3 do metrô, de Niterói a São Gonçalo, em uma primeira etapa; posteriormente, estendê-la até Itaboraí
- Assumir maior controle sobre a compensação do Bilhete Único e estender sua validade para três horas e meia
- Implantar um programa estadual de rodovias vicinais de 520 quilômetros

LINDBERG
- Transformar os trens da Supervia em metrô de superfície
- Levar o metrô até a Baixada Fluminense
- Maior controle sobre o sistema de transporte de ônibus
- Estimular o uso da bicicleta e do transporte limpo

CRIVELLA
- Reduzir em 30% o tempo dos deslocamentos na Região Metropolitana do Rio
- Mobilizar recursos de infraestrutura de transportes
- Integrar os diversos modais de transporte
- Aproximar as residências das ofertas de emprego na Região Metropolitana e na Baixada Fluminense

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