Governo quer voos no interior

Carlos Roberto Osório, recém-empossado secretário estadual de Transportes do Rio de Janeiro, terá muitos desafios pela frente

Por O Dia

'Vão sair BRTs tanto na Baixada%2C quanto no Leste Metropolitano%2C com certeza.'Carlo Wrede / Agência O Dia

Rio - Carlos Roberto Osório, recém-empossado secretário estadual de Transportes do Rio de Janeiro, tem muitos desafios pela frente. Além de tirar do papel obras de expansão do metrô, prometidas pelo governador Luiz Fernando Pezão, na campanha, ele tem um projeto ambicioso pela frente: ampliar a aviação regional no estado, com a criação de linhas regulares e novos aeroportos em cidades do Sul, Norte e Noroeste do estado. No fim da primeira semana da gestão, que começou com o grave acidente entre dois trens da SuperVia, na segunda, ele afirma que o sistema automatizado de controle do sistema ferroviário, que impediria esse tipo de colisão, será concluído até o fim do ano. 

O DIA: Seu primeiro dia como secretário estadual de Transportes terminou com um grave acidente nos trilhos da SuperVia. O que falta para que o sistema não permita falhas humanas?

Nosso esforço é de recuperação de um criminoso processo de sucateamento que durou quase 30 anos. Temos investimentos importantes em andamento, como a instalação de equipamentos eletrônicos ATP, que propiciam maior segurança ao sistema e reduzem o intervalo entre as composições, os simuladores de treinamento inaugurados no fim do ano, a chegada de 52 novos trens e a reforma das estações. Vamos alcançar a renovação total da frota com ar-condicionado até o primeiro trimestre de 2016. Estamos satisfeitos onde estamos agora? Não. Ainda temos que avançar.

O maquinista disse que recebeu autorização para ultrapassar o sinal vermelho (o controlador negou esta versão). Isso não seria possível com o ATP?

O ATP faz a integração de toda a rede. O equipamento é colocado na linha, no trem e no Centro de Comando e Controle. Se o maquinista avançar um sinal, o ATP para o trem, independente do maquinista. Mas se ele tem o ‘ok’ no Centro de Comando e Controle, vai seguir. Já se o Centro não deu a autorização, ele não segue.

E esse sistema deve estar totalmente atualizado até quando?

A meta pelo contrato de concessão é 2015. A SuperVia, a critério dela, publicamente falou que estaria tudo pronto em 2013. De fato não está e o prazo contratual é 2015. E aí você tem uma mudança. Essa mudança tem duas vantagens: uma é a segurança, e a outra, por ter mais segurança, possibilita a redução do intervalo entre os trens, porque se você não tem esse equipamento, por segurança você trabalha com uma folga maior, para evitar acidentes. Se tem o equipamento, você reduz o intervalo e aumenta a capacidade de passageiros transportados e o conforto para aqueles que estão nos trens.

Como estão as investigações do acidente?

Nós temos duas ações em andamento. Uma investigação técnico-administrativa da Agetransp e uma investigação policial, que está apurando responsabilidades criminais nesse acidente. Houve um acidente, houve um conjunto grande de vítimas, e a Polícia Civil, que é um órgão de Estado, está apurando para que se possa responsabilizar criminalmente se algum indício de crime houver nesse processo. Isso é muito importante para que a gente possa ter uma punição criminal seja lá para quem for, seja para um funcionário, seja para um diretor. A gente espera que no máximo em 30 dias tenhamos o relatório completo.

O TCE apontou falhas no controle do Bilhete Único (que é subsidiado pelo estado). O que será feito nesse primeiro momento além da auditoria externa que a Secretaria já abriu para evitar possíveis prejuízos aos cofres públicos?

Estive ontem (quinta-feira) com o presidente do Tribunal de Contas do Estado e ele me relatou, junto com os técnicos, o andamento do processo do TCE, mas não recebemos ainda nenhum relatório. Quando esse relatório chegar de maneira formal, a Secretaria poderá responder parte das perguntas e vai demandar a RioCard para também prestar os esclarecimentos. É importante notar que é um processo em andamento, e não um processo fechado. Estamos no início de um processo muito importante e que vai ajudar a gente e melhorar o controle sobre o Bilhete Único. A Coppetec, um centro de excelência da UFRJ, é contratada desde o início para acompanhar o Bilhete Único como um todo e não apenas uma parte. O Estado entendeu por bem contratar uma outra auditoria, de uma empresa de renome internacional, a PricewaterhouseCoopers, para podermos ter uma reavaliação mais ampla do Bilhete Único, que é o que está em andamento nesse momento. A avaliação apura todos os aspectos: segurança eletrônica dos dados, confiabilidade das informações, sistemas de controle internos, tudo está sendo avaliado para que possamos ter maior confiabilidade no sistema. E provavelmente algumas recomendações serão feitas e vão ser implementadas pelo estado.

Vamos falar agora sobre os projetos para sua gestão. O edital de licitação das obras da Linha 3 do Metrô (Niterói-São Gonçalo) está atrasado desde agosto. Quando está previsto sair esse edital e o início das obras?

O edital ainda está em fase de preparação, porque o projeto ainda não foi fechado. De maneira muito objetiva, é a primeira meta definir e fechar o projeto, o que vai ser levado à licitação. A partir do momento em que o projeto está fechado, prepara-se o processo licitatório.

Há uma estimativa de quando todas as 14 estações poderão ficar prontas e funcionando?

Não temos isso ainda... Isso a gente só vai ter, tenho que falar assim com muita franqueza, quando o projeto estiver pronto.

Outras promessas de ampliação do metrô feitas pelo governador foram a Linha 5 , da Gávea à Carioca, e o trecho Barra-Recreio. A primeira ainda está em fase de elaboração do projeto básico, que levaria 1 ano para ficar pronta e então depois ser licitada para obras. A segunda ainda nem teve projeto básico contratado. O que vai avançar nesses quatro anos?

O governador colocou a expansão do sistema ferroviário da Região Metropolitana como uma das prioridades do governo. Com relação à linha Jardim Oceânico-Recreio, o governador teve uma conversa com o prefeito Eduardo Paes e propôs uma parceria entre o Estado e a prefeitura para que possa se utilizar o mecanismo de operação urbana consorciada, que é um mecanismo que está possibilitando a revitalização do Porto Maravilha, para a expansão do metrô em direção ao Recreio e com estudo com a possibilidade de Jacarepaguá ser incluído nesse projeto.

Todos os demais projetos de BRT apresentados pela Fetranspor para a Região Metropolitana ficam realmente prontos até 2018?

Não necessariamente. Existe uma carteira de nove projetos, o estado está avaliando a priorização desses corredores. Vão sair BRTs tanto na Baixada, quanto no Leste Metropolitano, com certeza. Agora, estamos analisando o projeto que foi encaminhado para ver onde atende a mais gente. Outra coisa que vamos fazer é a licitação das linhas intermunicipais de ônibus. E estamos estudando colocar como exigência dos vencedores também um aporte na participação e na operação do BRT.

Quais os projetos para o interior?

Entendemos que o estado pode ser parceiro das prefeituras no estudo da questão de mobilidade (...) Existe ainda uma intenção do governador de buscar junto a Brasília possibilidades de abertura de aeroportos e de atração de voos para o interior do estado. Hoje, nós temos voos regulares em Macaé, mas outras regiões do estado, como o Norte, Noroeste e Sul Fluminense têm potencial de crescimento e poderiam, com o entendimento dos governos estadual e federal, buscar alternativas de transporte, porque isso induz o desenvolvimento.

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