Por tabata.uchoa
Muñoz elogiou o sistema%2C mas diz que é preciso mais ônibusMariana Gil / Divulgação

Rio - Autoridade no assunto, o diretor do Centro Internacional de Excelência em BRT, do Chile, chegou ao Rio semana passada e soube que precisaria gastar R$ 160 do Galeão até a Barra num táxi. Viu o Transcarioca e não titubeou: embarcou e aprovou a rapidez. Na cidade para apresentar o BRTData.org, banco global de dados sobre os corredores de ônibus, Juan Carlos Muñoz conteve os elogios ao ver as filas nas estações durante os horários de pico.

O DIA: O sistema de transporte público no Rio teve ganho real de qualidade após a implantação dos BRTs Transcarioca e Transoeste ?

JUAN CARLOS MUÑOZ: A cidade está promovendo um sistema de alta capacidade e bastante velocidade. Os corredores foram cuidadosamente desenhados para cruzar zonas de baixa e de alta densidade, e não estão restritos ao espaço urbano. A conexão de um transporte de massa com o Aeroporto do Galeão é fantástica. Pude ir até o Terminal Alvorada em um serviço rapidíssimo. Isso provavelmente não seria possível em um metrô, que para em todas as estações. É também muito atrativo que se esteja considerando, não só o Transoeste e o Transcarioca, como o Transolímpica e o Transbrasil, de modo a constituir uma rede de serviços de ônibus que possa conectar os corredores.

Que aspectos negativos merecem atenção do poder público?

Os elementos negativos não aparecem à primeira vista. Os ônibus têm um uso muito atrativo, mas estão apertadíssimos. É muito importante intervir no BRT provendo mais veículos. Como a demanda cresce cada vez mais, é preciso aumentar a oferta antes que as pessoas se sintam incomodadas. Outra urgência é incorporar confiabilidade ao sistema para que os ônibus circulem de maneira regular. Muitas vezes se espera por muito tempo enquanto passam vários da mesma linha.

Desde a inauguração dos BRTs, já houve muitos acidentes. Como evitar esses problemas no modal?

Nos primeiros meses após a implantação em outras cidades, os acidentes acontecem porque a população não está acostumada. Não é normal que eles permaneçam com frequência. Conforme os corredores do Rio vão crescendo, é importante dar visibilidade adequada aos pedestres e motoristas, com mais sistemas de informação, para que os ônibus possam seguir com velocidades atrativas e sem acidentes.

O senhor ficou espantado com as longas filas para embarcar no Terminal Alvorada pela manhã. Qual é a recomendação?

Não interessa só oferecer melhores condições de mobilidade. Quando chega à estação, o passageiro quer saber quanto tempo leva para recarregar seu cartão e para comprar a passagem, ou seja, quanto tempo espera pelo trajeto completo. Se um elemento estiver funcionando mal, a experiência será frustrante. É fundamental que o BRT se preocupe não só com a rapidez dos ônibus, mas com todo o processo. Essa é uma das etapas mais fáceis e baratas de se intervir.

O governo cogita substituir um projeto de metrô, que ligaria três cidades no Leste Fluminense (Niterói, São Gonçalo e Itaboraí), por um BRT. O sistema tem capacidade para demandas altas?

O metrô de Santiago, no Chile, leva cerca de 45 mil pessoas por hora. Esse número é o mesmo que o TransMilenio (sistema de BRT da Colômbia) transporta na Avenida Caracas, em Bogotá, em uma via larga, com muitos ônibus e serviços expressos. A promessa do Rio é transportar 60 mil passageiros por hora/sentido no Transbrasil. O BRT que leva mais passageiros atualmente é o de Bogotá. Em termos de capacidade, os níveis são comparáveis (ao metrô). É claro que se, por exemplo, só houver uma pista por direção, sem pontos de ultrapassagem, o BRT não dá conta para 30 mil passageiros por hora.

Os passageiros reclamam que o tempo ganho noBRT é perdido nas linhas alimentadoras. Como resolver?

Algumas experiências, como a da Argentina, mostram que os serviços de alimentação podem fazer parte do BRT. É preciso flexibilizar as alimentadoras, que estão muito rígidas, para que também possam entrar e sair dos corredores troncais.

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