SuperVia tem mais de 50% das queixas na Agetransp

Novo canal da agência, por redes sociais, aumentou em 300% as reclamações

Por O Dia

Rio - Quinta-feira passada, 7h06: “Depois de acordar muito cedo para ir sentada de Santa Cruz ao Maracanã, descubro que o trem avariou e ninguém avisa nada”. 7h45: “Trem para Japeri avariou na Central e nenhuma composição foi alocada. Descaso total!”. 18h25: “Santa Cruz se arrastando. Ficou parado 10 min em Madureira”. As corriqueiras queixas sobre a SuperVia saem das estações e invadem as redes sociais, virando estatística de um serviço fora do trilho que é líder de insatisfação.

Só nos primeiros 30 dias de atividades da Agetransp (agência reguladora dos transportes do estado) no Facebook e no Twitter, as reclamações de usuários de barcas, trens e metrô aumentaram 300%. A SuperVia, que transporta 670 mil passageiros por dia (160 mil a menos do que o metrô), foi alvo de mais da metade das queixas (56%). Foram 633 registros entre 10 de agosto e 9 de setembro. A comparação se baseia nos registros feitos por e-mail e telefone ao órgão em julho.

Vanessa e Reinaldo são alguns dos passageiros que cansam de reclamar dos serviços dos trens da SuperViaBruno de Lima / Agência O Dia

A CCR Barcas foi citada em 35% dos casos e o MetrôRio, em 9%. As principais insatisfações são com irregularidade dos intervalos, atendimento e manutenção. A SuperVia ressalta que, desde o início da atual gestão (2011), parceria com o estado permite melhorias como a compra de 120 trens, troca de 137 quilômetros de trilhos, instalação de dormentes e substituição da rede aérea. Frisa ainda que novos planejamentos operacionais têm reduzido os intervalos. “Reflexo disso é a melhora da pontualidade (em 2011 era de 90% e hoje está em 93%, acima do exigido pelo contrato de concessão)”.

Segundo a concessionária, em 2011, ocorria uma avaria a cada 23 mil km rodados. Hoje, uma composição tem defeito a cada 180 mil km. A Supervia garante que qualquer imprevisto é informado através dos sistemas de áudio.

Os relatos iniciais foram retirados do perfil do Facebook “SuperVia - Vergonha para o povo carioca”, com 33 mil seguidores. Nas estações, a indignação também é unânime.“O trem atrasa todo dia e ninguém dá informação”, critica Vanessa Carvalho, 25 anos. “Tá enguiçando pra caramba. Peguei em Santa Cruz e fiquei 20 minutos parado”, disse Reinaldo de Jesus, 47, chegando à Central segunda-feira à tarde.

Muitos boletins e poucas multas

Só de 2013 até o primeiro semestre deste ano, 185 boletins de ocorrência foram abertos pela Agetransp para apurar acidentes ou incidentes no sistema ferroviário que tenham provocado impacto na operação. Foram abertos 46 boletins para as barcas e 46 para o metrô. Desde 2014, chegaram 2.033 reclamações para a SuperVia, 1.186 para a CCR Barcas e 800 para o MetrôRio.

Apesar de tantas queixas e boletins em curto tempo, desde 1998, só foram aplicadas 14 multas para o metrô e 14 para as barcas. Os trens receberam 56 punições, também em 17 anos. A Agetransp explicou que a multa só é aplicada após ser comprovada quebra contratual. Ressaltou ainda que 43 punições foram decretadas desde o ano passado, início da atual gestão.

A CCR Barcas informou que a regularidade dos intervalos está em conformidade com o contrato e que vem investindo no treinamento das equipes de atendimento ao cliente.

Quanto à manutenção das embarcações, esclareceu que conta com procedimentos preventivos e corretivos, além de equipes a postos nas estações prontas para solucionar qualquer tipo de ocorrência. A empresa também ressaltou que o Governo do Estado adquiriu sete novas embarcações modernas de 2 mil lugares e duas de 500 lugares. Duas já estão operando entre Rio e Niterói.

O MetrôRio declarou que “trabalha constantemente para melhorar a experiência de seus usuários, o que reflete no resultado do estudo realizado pela Agetransp, que aponta a empresa como o meio de transporte mais bem avaliado”. O secretário estadual de Transportes, Carlos Osorio, preferiu não avaliar a proporção de multas aplicadas, “porque a Agetransp é independente”.

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