Corredor de ônibus de Niterói levará mais 10 mil pessoas para a Estação Charitas

Transoceânica será uma via expressa de 9,3 km de extensão que vai atender a 11 bairros

Por O Dia

Rio - A prefeitura de Niterói quer convencer o governo estadual a implantar uma linha convencional de barcas entre Charitas e a Praça 15. Até hoje o trajeto só possui serviço seletivo, com catamarãs mais rápidos e a salgada tarifa de R$ 13,90. O prefeito Rodrigo Neves está de olho no aumento de demanda que deve surgir no transporte aquaviário quando a Transoceânica, que está em construção e vai ligar a Região Oceânica à estação de Charitas, na Zona Sul da cidade, estiver pronta.

Obras já começaram%2C mas projeto só deve ficar pronto no fim de 2017Divulgação

A Transoceânica será uma via expressa de 9,3 km de extensão que vai atender a 11 bairros. Com previsão de inauguração no segundo semestre de 2017, a nova via terá o sistema de transporte BHLS, um tipo moderno de BRT, com a diferença de que os ônibus poderão entrar e sair do corredor exclusivo e rodar pelas ruas dos bairros. O percurso do Engenho do Mato, na Região Oceânica, até Charitas, que hoje leva uma hora em média, deverá ser feito em 25 minutos, passando por 13 estações e um túnel. A previsão é de transportar 80 mil pessoas por dia.

“O dimensionamento feito pela prefeitura mostra que é possível duplicar a capacidade da estação de 10 mil para 20 mil pessoas por dia só reduzindo a tarifa, sem necessidade de realizar intervenção na estação”, afirma o subsecretário da Secretaria Municipal de Urbanismo e Mobilidade de Niterói, Renato Barandier Junior.

Já a concessionária CCR Barcas informou que, com a inauguração da Transoeceânica e do BHLS, estima um aumento de até 5% do atual fluxo de 10 mil passageiros por dia. A concessionária garante que, caso isso se concretize, está preparada para atender à demanda. A empresa acrescentou que cumpre o contrato de concessão que prevê a prestação do serviço social (mais barato) somente nas linhas de Arariboia, Cocotá, Paquetá, Mangaratiba e Angra dos Reis. A viagem entre a Praça Arariboia, em Niterói, e a Praça 15 custa R$ 5, em dinheiroe, R$ 3,50, no Bilhete Único.

O traçado da TransoceânicaPrefeitura de Niterói

Desafogar o trânsito

A proposta de criação da linha social para Charitas está sendo analisada pela Secretaria Estadual de Transportes, mas esbarram também na questão que a concessionária reclama que as atuais tarifas já não remuneram os investimentos.

O engenheiro de Transportes Alexandre Rojas, da Uerj, considera a criação da tarifa social (mais barata) em Charitas importante para o projeto de mobilidade da Região Oceânica e para desafogar a Ponte-Rio Niterói. “Se houver o aumento de demanda esperado, justificam-se as obras de ampliação da estação e a oferta de um serviço de barcas de maior capacidade além do catamarã”, avalia.

Estado estuda novas linhas

Segundo o secretário Carlos Roberto Osorio, estudos em andamento vão apontar se seria viável colocar as novas barcas chinesas, de 2 mil lugares, no trajeto, considerando uma integração tarifária no Bilhete Único com os ônibus municipais de Niterói. Caso se constate que o melhor seria manter o mesmo serviço, o governo ainda assim pode propor que os concessionários ofereçam desconto na integração.

“Para se implantar um serviço com maior capacidade, provavelmente teríamos que trabalhar com embarcações maiores e, para isso, seria preciso fazer obras para aumentar a capacidade da estação e a profundidade do local de atracação. Isso está sendo estudado e deve estar mais esclarecido no primeiro semestre do ano que vem”, adiantou.

O secretário de Transportes ressaltou que a implantação do serviço precisa ser discutida com a CCR Barcas, que já informou o desejo de deixar de operar as seis linhas atuais alegando prejuízo financeiro, ou com a empresa que vencer a próxima licitação.

BHLS evitará uso de ônibus alimentador

Na América do Sul, Niterói será a primeira cidade a ter o sistema batizado de BHLS (sigla em inglês para ‘ônibus com serviço de alto nível’). Ao contrário do BRT, que conta com ônibus alimentadores, no BHLS, os veículos poderão entrar e sair da pista exclusiva para levar os passageiros dos bairros até o corredor, evitando baldeações.

“No caso de Niterói, o corredor de 9 km é uma distância muito curta para fazer transbordos com ônibus alimentadores. Por isso, o BHLS foi escolhido”, explica o subsecretário de Niterói, Renato Barandier Junior.

A Transoceânica terá ainda duas pistas para carros e uma ciclovia em cada sentido, sem pedágio. A frota para operar o BHLS deverá contar com 60 ônibus, para 70 passageiros cada. Com investimentos de R$ 310 milhões, do governo federal e da prefeitura de Niterói, a obra da Transoceânica começou há três meses.

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