Therezinha: A primeira cobradora de ônibus do Brasil

Função foi exercida pela ex-rodoviária na década de 1960, no interior do Rio, após licença médica por acidente do trocador

Por O Dia

Rio - Ainda na década de 1960, por um acaso do destino, Therezinha Menezes Morgado se tornou a primeira cobradora do Brasil. Therezinha, era proprietária, com o marido, já falecido, de uma empresa de ônibus que tinha uma frota de apenas dois veículos, em Pau Grande, no município fluminense de Magé.

Após perder um dos dois veículos em uma colisão com um trem, ficou sem um dos cobradores, que ficou ferido no acidente e afastado temporariamente do trabalho. Com isso, diante da necessidade, teve de virar cobradora, enquanto o marido dirigia o ônibus. 

"Como fui a primeira mulher a cobrar passagens, algumas pessoas estranhavam me ver naquela função e até achavam que eu estava ali para tomar conta do marido. Depois, viram que o trabalho era sério", conta Therezinha, que acaba de completar, em novembro, 80 anos.

Therezinha relembra os tempos de cobradora em Pau GrandeMobilidade TV

A empresa do casal Morgado nasceu para transportar trabalhadores de uma fábrica de tecidos, em Pau Grande. Como conheciam praticamente todos os passageiros, o casal empreendedor adotava o sistema de fiado no ônibus. Através de um carnê, os trabalhadores pagavam no fim do mês fichas que usavam para pagar as viagens.

Depois, com aumento e diversificação dos passageiros, a Viação Rápido Pau Grandense cresceu até chegar a ter 44 veículos e 16 linhas, que já atendiam a toda a população da região e não só aos trabalhadores da fábrica.

O trabalho de Therezinha como cobradora durou cerca de um ano. Quando o cobrador se recuperou do acidente com o trem, Therezinha assumiu outro posto, já na área administrativa da empresa. Mas ela lembra que, de vez em quando, tinha de voltar a ser cobradora para cobrir folga dos funcionários.

Linha Pau Grandense atendia a funcionários de uma fábricaReprodução Internet


Anos depois, a viação foi vendida para a Transportadora Primavera e Therezinha deixou o ramo de transportes. A cobradora e empresária mudou de área, então, e passou a trabalhar no setor têxtil. A Transportadora Primavera funcionou até 2004, quando seus ônibus circularam pela última vez.


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