Por bferreira
Rio - Era numa fazenda nos arredores de Lausanne, Suíça afrancesada. Semana passada me levaram até o Barracão da Escola de Samba Rio Amazonas, para que eu desse início à confecção do carro alegórico cujo tema era 150 anos do futebol. Ouvi uma vaca mugindo, e fui ver a cena que me recordou as imagens de propaganda de leite.

Vi cavalos naqueles campos abençoados e frios, onde eles tentam, na Festa do Sol, reproduzir a alegria dos povos latinos. Assim comecei um carro puxado a trator, que na falta dos tradicionais brilhos carnavalescos, foi todo revestido de papel metálico, usado para assar o Peru no Natal. Rezei aos meus Orixás, e quando o sol bateu e transformou o carro em espelho luminoso, brindei ao mago do truque, Joãozinho Trinta. No carnaval, quase nada que reluz é ouro.

Os três dias de festa misturam axé, salsa, samba, pop tecno bate estaca. E eles adoram nosso jeito de viver. Prova disto foi quando fui apresentado ao ferreiro/marceneiro, um viking simpático que ligou o som naquela oficina improvisada no estábulo: a voz de Naldo ecoou. Depois Raça Negra, e quando veio Anita eu vi que aquilo não era normal.

Ele explicou: "Minha mulher é de Saracuruna, nos conhecemos pela internet, somos casados há três anos e vem aí nosso primeiro bebê". Perguntei qual a diferença entre a mulher brasileira e a europeia: "Seu povo tem pouca coisa e é feliz. Aqui temos tudo e somos infelizes....".

Lausanne, cidade sede do COI, recebia a cidade que vai sediar a próxima Olimpíada, e a festa foi total, a ponto de nosso secretário municipal de Turismo, Antônio Pedro Figueira de Mello, e seus assistentes Gustavo Mustoff, Natalie Freire e o Rei Momo Milton, terem montado um estande da Riotur defronte ao júri.

Era o triunfo do sonho de Rogerinho Dornelles e Luciana Nobre, casal de mestre-sala e porta-bandeira, que já empreende há dez anos neste carnaval do Velho Mundo, e este ano trouxe a bateria da Mocidade Independente de Padre Miguel, do mestre Bereco. Geneve, cidade vizinha e um pouquinho enciumada, tratou de convidar o Rio para ser a cidade homenageada, ano que vem, na festa em volta do lago Leman.

Depois de Estocolmo, Londres, Koburg e Lousanne, consolido a impressão que o carnaval exportação é um produto de grande aceitação, com seu aspecto interativo. Todos querem dar uma sambadinha. Somos um povo mágico, e temos para vender um produto em alta na soturna terra do euro: o ziriguidum alegria.