Por bferreira
Rio - Às voltas com o pibinho, com o PMDB e com torturadores que mantêm a mesma postura covarde exibida nos porões da ditadura, Dilma Rousseff merece umas folgas. Dica: aproveitar as duas semanas da Copa das Confederações. De quebra, poderia programar férias de mês inteiro durante a Copa do Mundo de 2014. Não me leve a mal, presidenta, mas sua ausência não será notada. Nesses períodos, quem vai mandar por aqui é a Fifa, feliz proprietária do futebol mundial e dos grandes eventos relacionados ao mais popular dos esportes.
Quem duvida do poder dessas quatro letrinhas deve consultar as leis que o país criou sob sua encomenda. Vistos não poderão ser negados a quem tiver comprado ingressos para os jogos, a Fifa e seus prestadores de serviço terão direito a isenção de impostos e caberá à entidade definir quem poderá fazer publicidade num perímetro de dois quilômetros em torno de cada estádio. A Fifa está protegida até contra prejuízos causados pela violência. O Brasil se responsabilizará “por todo e qualquer dano resultante ou que tenha surgido em função de qualquer incidente ou acidente de segurança relacionado aos eventos”. Eu também quero ter a mesma garantia do governo do meu país.
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A entidade, é bom ressalvar, apenas estabelece regras para quem quiser sediar a Copa. O grave é aceitá-las sem contestação. Em nome dos acordos, o Iphan atropelou o tombamento do Maracanã, o governo estadual deu bom-dia com o chapéu alheio e ignorou o direito dos proprietários das 4.968 cadeiras cativas. Deveria ter avisado que não é dono de todo o Maracanã; isto não inviabilizaria a final da Copa no Rio, sobrariam umas 70 mil cadeiras (a Fifa exige 60.000 lugares). Até a presidenta do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, desembargadora Leila Mariano, citou os tais compromissos internacionais para legitimar a quebra do direito de propriedade das cadeiras. Postos na rua, donos das cativas devem estar se sentindo como os proprietários de imóveis que, em 1808, foram obrigados a ceder seus imóveis para a comitiva real portuguesa.
Enfim, presidenta Dilma, apareça na abertura e nas finais das copas e, no intervalo, trate de viajar, pegar uma praia. Eu ficarei por aqui, terei que trabalhar. Poderia ser pior, pelo menos meu apartamento e meu carro não foram confiscados para serem usados pelos figurões da Fifa.
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Fernando Molica é jornalista e escritor | E-mail: [email protected]
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