Por bferreira
Rio - A notícia caiu como uma bomba. Angelina Jolie fez mastectomia . Ou seja, fez a retirada total dos seios, numa corajosa tentativa de evitar o câncer de mama que matou a a mãe dela, aos 56 anos, depois de lutar contra a doença por dez anos. Como deve ter sido difícil tomar uma decisão destas. Como os tempos mudaram. Antigamente nem se falava a palavra câncer. As pessoas, quando sabiam que o câncer tinha atacado uma amiga ou conhecida, apenas sussurravam sobre “a doença”.
Ainda hoje, muita gente guarda certa reserva para admitir a sua situação ou a de outro, quando o outro é um ser querido e próximo. E todos comentam, aos quatro ventos, quando a notícia atinge uma chamada pessoa publica, como se a vida pessoal da pessoa famosa fosse direito de todos ou terra de ninguém. Por isto também é que a notícia da cirurgia de Jolie tenha tido tanto destaque. Afinal, uma das mulheres mais bonitas do mundo, um símbolo de sexualidade, uma mulher famosa internacionalmente, casada com um homem lindo, igualmente famoso e talentoso, sonho de consumo de milhões de mulheres, só podia mesmo ser das notícias mais lidas e mais comentadas do ano. Foi de uma coragem admirável expor sua história. Foi tão corajoso quanto fazer a cirurgia. Fico imaginando qual deve ter sido o momento mais delicado, o mais doloroso.
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Escolher fazer o teste genético para descobrir suas chances de desenvolver o mesmo câncer da mãe? Esperar pelo resultado? Descobrir que tinha 87% de chance de ter câncer de mama, porque tinha um defeito genético: um tal de BR CA 1? A realização da cirurgia propriamente dita? Ou acordar depois da operação e constatar que não tinha mais os seios? Esta resposta só ela tem. No artigo que escreveu para o jornal americano ‘New York Times’ contando sua história, com certeza, Jolie tinha um objetivo claro: ajudar outras mulheres que, em algum momento da vida, são levadas a fazer escolhas ou correm o mesmo risco que ela corria, sem saber. Claro que o exame é muito caro (custa cerca de 3 mil dólares) e por conta disto ainda não é acessível às mulheres comuns. Agora, Jolie tem tem 5% de chance de desenvolver câncer de mama.
Certamente terá que fazer outra cirurgia para recuperar a aparência perdida, alterando as próteses inicialmente colocadas. O câncer de mama é o câncer que mais mata no Brasil e é uma doença que mata cerca de 458 mil mulheres por ano, no mundo, segundo a Organização Mundial de Saúde. Mas saber que aquela mulher linda, tanto na tela como nas atitudes que toma na vida, criando seus filhos e ajudando causas humanitárias, enfrentou suas dores com coragem é, no mínimo, reconfortante. E pode ajudar muitas mulheres.