Por bferreira

Rio - A história não registra os governantes omissos, os medíocres que ficam no dia a dia da administração e não olham para a frente. Os que garantem um lugar na memória popular são os realizadores, os que ousam, marcam e não se deixam intimidar pelo desconforto causado pelas grandes alterações urbanas.

Assim é que Pereira Passos marcou o Rio com os avanços no Centro da cidade, desde a Presidente Vargas ao desmonte do Morro do Castelo. Como seria a capital sem estas obras? É o caso de se perguntar.

Outros foram pontuais, mas nem por isso pouco importantes, como o prefeito Mendes de Morais, responsável pelo Maracanã e pela primeira ponte ligando a Avenida Brasil à Ilha do Governador.

Os mais jovens não sabem que os passageiros que vinham de viagens internacionais, ao velho Galeão, tinham de apanhar uma barca, de mala e tudo, para chegar em suas casas.

Depois vieram Carlos Lacerda, com os túneis Rebouças, Santa Bárbara, Major Rubens Vaz e Sá Freire Alvim, que retiraram a Zona Sul do estrangulamento. Negrão de Lima, o estadista, começou o Aterro do Flamengo quando prefeito — Lacerda terminou a obra e criou os jardins — e, como governador, duplicou a Avenida Atlântica, criou os viadutos Augusto Frederico Schimidt, no Cantagalo, Fernando Ferrari e Álvares Cabral, em Botafogo, Ataulfo Alves, na Avenida Brasil e as passarelas da Infante D. Henrique (Aterro) e teve a coragem de remover as favelas da Lagoa. E, convém sempre lembrar, abriu os acessos à Barra da Tijuca.

Brizola, que não tinha o gosto da gestão, mas, sim, da política, por influência de Niemeyer e de Darcy Ribeiro, deu ao Rio a Linha Vermelha, o Sambódromo e os Cieps. Impressiona que Chagas e Moreira não tenham deixado nada a ser registrado. O primeiro ainda fez alguma coisa em função de Emílio Ibrahim, seu secretário de Obras, ter sido formado no melhor da engenharia carioca, sendo de seu tempo, no governo Lacerda, os projetos das linhas Vermelha e Amarela, esta construída por Cesar Maia e Luiz Paulo Conde.

Eduardo Paes entrará para esta seleta seleção, pois o que está sendo feito no Rio, neste momento, se iguala a todos estes feitos reunidos. Esta, sim, é a verdade! O resto é coisa de gente menor, sem educação, carregando ressentimentos e frustrações.

Jornalista

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