Por tamyres.matos

Rio - O medo de ataques terroristas é realidade quase no mundo inteiro. Obviamente nos Estados Unidos a tensão é maior, e o recente ataque à Maratona de Boston reacendeu o pânico. Na Inglaterra, o soldado decapitado no meio da rua e o assassino com a faca na mão ensanguentada chocaram o planeta.

O problema é que por aqui todos se impressionam com esses episódios, mas já não se abalam com atos terroristas similares, como o ocorrido no Desafio da Paz, no Complexo do Alemão, há 10 dias. Aparentemente nos acostumamos tanto com tiroteios e balas perdidas que já não avaliamos a gravidade de certos acontecimentos.

Uma ‘chuva’ de tiros com armas de grosso calibre poderia ter tido consequências catastróficas. Cada cidadão ficou exposto e qualquer um poderia ser mais uma vítima da violência. Muitos desistiram de participar do evento, que ironicamente se chamou Desafio da Paz.

Em verdade, estamos constantemente expostos a atos insanos, e o Poder Público deve avaliar melhor certas ações. Será que as autoridades desconhecem o fato de ainda ter bandidos em comunidades pacificadas? Até que ponto é válido expor centenas de pessoas na tentativa de passar tranquilidade que ainda não é integral?

Já foi dito exaustivamente que a pacificação é uma iniciativa louvável, mas também sabemos que a retomada do território foi apenas a primeira parte. O projeto deve ser continuado, a manutenção da ordem é necessária, e a prisão dos traficantes que insistiram em permanecer nesses locais é primordial.

A sociedade espera que não precise acontecer nenhuma tragédia para que as autoridades invistam nessa ação com o mesmo vigor do início. Caso contrário, o terrorismo pode estar mais próximo do que imaginamos.

Marcos Espínola é advogado criminalista

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