Bruno Chateaubriand: Fechou o tempo

Problemas meteorológicos acontecem em todas as cidades do mundo, mas por aqui é surreal

Por O Dia

Rio - A rotina do Aeroporto Santos Dumont virou, literalmente, uma roleta. Outro dia, por exemplo, o terminal ficou sem luz das 6h45 às 7h04. Detalhe: foi a segunda vez na mesma semana. Volta e meia, me deparo com a necessidade de ir para São Paulo, mas quando tenho que ir para Curitiba, por exemplo, fico tenso. Isso porque nunca se sabe o que nos espera. No último mês, fui, ou melhor, gostaria de ter ido, duas vezes para o Sul do Brasil. Minhas passagens eram Rio-Curitiba — Rio, pela companhia Azul, 11h da manhã.

No primeiro dia, uma chuvinha bem fraca caía sobre a cidade. Quando chego no saguão, encontro uma multidão. Todos esperavam em filas gigantes. As atendentes diziam: “Não temos previsão”. Problemas meteorológicos acontecem em todas as cidades do mundo, aeroportos fecham por nevascas, furacões... mas aqui o fato era mais surreal. Só chuvisco e confusão.
A falta de informação era absurda e a quantidade de idosos sem saber o que fazer era enorme. Uma senhorinha, de tão aflita, perguntou a um atendente: “A que horas a chuva vai parar?”, o rapaz gentilmente respondeu. “Olha senhora, previsão do tempo eu ainda não sei dar”.

Como sou acostumado com as peripécias dessa cidade que, aliás, amo, corri para o Internacional, já que a aeronave que vinha de Curitiba para buscar os passageiros tinha pousado por lá. Chegando no Galeão, o que vejo é um balcão da Azul vazio e sem soluções para o meu destino.

A funcionária me disse: “Não endossamos passagens, nem sairá nenhum voo daqui para Curitiba, já que esse trânsito entre os aeroportos não existe”. A atendente explicou que a aeronave que veio de lá seria remanejada e que ela poderia me dar um vale refeição. Sem solução e tendo um compromisso inadiável, corri para outra companhia aérea e embarquei. Passado esse corre-corre, marquei uma nova ida à Curitiba.

Chegando ao aeroporto, o caos no saguão de embarque era evidente. Tudo em função da neblina característica dessa época do ano. Mais uma vez o mesmo problema. Remarcação, só para o dia seguinte e mais nenhum voo para o Sul. O que fazer? Já sabia. Fui para o aeroporto internacional e, de lá, paguei outra passagem.

Foi quando cheguei a simples conclusão. Errar uma vez faz parte, duas talvez, agora, a terceira, nunca mais. Voos para o Sul apenas saindo do nosso incrível Aeroporto Internacional do Galeão — Maestro Antonio Carlos Jobim. Fica a dica. Problemas meteorológicos acontecem em todas as cidades do mundo, mas por aqui é surreal...

Bruno Chateaubriand é jornalista

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