Milton Cunha: Grandes aberturas brasileiras

O esporte preferido foi comparar a abertura do Pan com a da Copa das Confederações

Por O Dia

Rio - O esporte preferido, nesta semana que passou, foi comparar a abertura dos Jogos Pan, da divina mestra Rosa Magalhães, com o espetáculo do brilhante Paulo Barros para as Confederações. Vou entrar na brincadeira, começando com meus parabéns aos dois maravilhosos, por terem conseguido levar a cabo o ‘complicadérrimo’ que é driblar as limitações de só poder criar o permitido e aprovado pelos donos da festa, que querem o melhor sem dinheiro e sem tempo para confeccionar esta maravilha.

O Pan pode ter um resultado mais artístico e acabado pois contou com luz, fundamental para troca de climas e produção de claros escuros que tanto ajudam a não deixar a cena crua. Some-se a isto fogos em pirotecnia coreografada e pira deslumbrante para dar um charmoso desfecho. Tinha também a possibilidade de surrar o gramado com palco central e elevador hidráulico, e chão acinzentado que beneficia o recorte visual. Acho que tinha também mais dinheiro, mas a Amebras que confeccionou diz que foi enxuto. Era no Rio, onde voluntários são mais da pá virada, todo carioca já é descolado de nascença. O espetáculo trabalhou com concepção mais orgânica: três partes, que homenageavam a Energia da Natureza, a Energia das Águas e a Energia do Homem Brasileiro. Inesquecível, hipnotizante.

A Confederações ‘esmagou’ Paulo num horário de luz seca, dura. Hiper-realismo nos defeitos de confecção de figurino e marcação coreográfica (pouco dinheiro e sem tempo para ensaios). Nada disso tem a ver com Barros, que concebeu um espetáculo em quatro partes: o telão de LED com as inscrições, o mapa do Brasil com a miscigenação, o campo de futebol com a gigantesca bandeira do evento e a mandala dos oito povos da competição.

Ideias muito boas, pois o telão era formado por circulares superfícies que fechavam e abriam, num efeito mágico e rápido (ainda que com erros de execução, que não invalidam a concepção); o mapa do nosso país eram saias gigantescas que se abriam e as baianas eram as ondas do oceano; o totó jogando futebol era o máximo, ponto alto do balaco; e por fim as oito roupas típicas, rodando em grupos, homenageando as populações de torcedores.

Objetivo, direto ao ponto, cinco minutos para cada bloco. Correria, muita gente fora do lugar, faltando pedaço de figurino, abrindo adereços pessoais, uma loucura. Mas como não teria uma festa final, quando cada componente sai brincando, a gente desculpa a empolgação e finge que não viu. Problemas houveram, nada com Paulo Barros, que está de parabéns por ter concebido um bom show ainda que numa realidade adversa. Rumo à Copa do Mundo, com La Magalhães de novo!

Milton Cunha é carnavalesco e Doutor em Ciência da Literatura pela UFRJ | E-mail: chapa@odia.com.br

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