Wadih Damous: Crise de representação

As autoridades se veem aturdidas e incapazes de lidar com o gigantismo das passeatas e seu clamor por mudanças

Por O Dia

Rio - Transporte caro e ruim, custo de vida, corrupção, gastos com estádios, investimentos insuficientes em saúde e educação. O que essa pluralidade de razões de protesto que se vê estampada nas ruas do país quer dizer? O que era, de início, motivado pelo aumento no preço das passagens ganhou a adesão massiva da população, levando centenas de milhares, jovens em sua maioria, a manifestar seu inconformismo nas cidades, de perfis tão distintos como Juazeiro do Norte ou Rio de Janeiro.

O que se pode depreender dos acontecimentos, como ponto de convergência, é uma transbordante insatisfação com o poder público, perpassando o Executivo, o Legislativo e o Judiciário. As autoridades se veem aturdidas e incapazes de lidar com o gigantismo das passeatas e seu clamor por mudanças. O que se vê agora não tem, como na campanha das Diretas, pauta bem definida. É nova forma de manifestação, sem lideranças formais, sem palanques. Como será canalizada é uma das interrogações que se fazem, e onde vai desaguar é outra.

Certo é que as ruas expõem uma crise de representação institucional, e impõem-se mudanças no comportamento das autoridades e, de forma profunda, nos mecanismos de participação da sociedade nas políticas e ações do poder constituído. Nossa democracia foi reconquistada ao custo de muitas vítimas, é bom lembrar.

Os elementos explosivos de uma massa que não se sente representada nas instituições estão aí. Também estão os oportunistas, ávidos por se aproveitar politicamente do pânico gerado por grupos que tentam destruir o que encontram e se deparam com policiais mal preparados para garantir os direitos de todos.

Presidente da Comissão Nacional de Direitos Humanos da OAB e conselheiro federal pelo Rio de Janeiro

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