Por bferreira

Rio - A programação que estamos acostumados a ver na telinha mudou. As mesmas séries e os filmes repetidos até a náusea (masoquistas podem rever o ‘King Kong’ o ano inteiro) revezam agora com a pancadaria nas ruas, entre pedradas e bombas de efeito moral (adoro esse eufemismo) e a Copa das Confederações nos nossos novos e suntuosos estádios (aliás, uma das causas da pancadaria). Desisti de entender o que está acontecendo nas ruas e praças. Sociólogos, antropólogos, economistas e cientistas sociais explicam tudo e eu continuo não entendendo nada.

Para mim, uma coisa ficou bem clara: estamos sob intervenção da Fifa. Vi na tevê o poderoso chefão da entidade e a presidenta do Brasil na inauguração do Estádio Nacional de Brasília. Alguma dúvida sobre quem mandava? Pela lei brasileira é proibido vender bebida alcoólica nos jogos de futebol. Mas a Fifa liberou a birita por causa de um dos patrocinadores e não se fala mais nisso. O lado positivo das coisas: a Copa já valeu por causa do drible chapliniano de Neymar Jr. no jogo contra o México e das patuscadas da adorável seleção do Taiti. Se eu pudesse comprava a seleção taitiana, uma espécie de Globe Trotters ao contrário. Só tem um profissional, os outros são amadores, três irmãos e um primo, um motoboy, um apanhador de coco... Ia lotar os estádios com o hilário show. Agora entendo por que Gauguin trocou Paris pelo Taiti. Os nativos são muito fofos! Temos que agradecer a presença deles à Fifa, que manda até na geografia — transferiu a Austrália para a Ásia, abrindo vaga para o Taiti.

***

Boas notícias: nem toda moçada é funkeira. Degustei o show de Susana Dal Poz, no lançamento do seu CD ‘Só Sambas’, terça-feira passada, no Solar de Botafogo, onde — de lambuja — tem uma espetacular cervejaria, com marcas do mundo todo. Valeu a pena sair da ilha do Leblon. Oito instrumentistas de alto nível acompanham Susana, até mestre Trambique no tambor. Clássicos de Noel a Nelson Cavaquinho.

No show, a cereja do bolo foi Wilson Moreira, o Alicate, que bravamente — depois de sobreviver a um AVC — subiu ao palco para apresentar quatro sambas dele tendo como parceiros Jorge Aragão, Sérgio Fonseca e Nei Lopes (dois, inclusive o antológico ‘Senhora Liberdade’). Há dez anos não nos víamos e combinamos fundar um bloco, o dos Caprichosos do AVC.

Você pode gostar