Por tamyres.matos

Rio - O novo herói da transparência democrática se chama Edward Snowden, tem 29 anos e nasceu em Maryland, vizinho do Fort Meade, sede da poderosa NSA (Agência de Segurança Nacional dos EUA). Ele nunca completou o Ensino Médio e foi dispensado do serviço militar, em 2003, devido a um ferimento. Como demonstrava grande talento para a informática, a CIA o recrutou.

Agora ele se encontra refugiado por denunciar, com provas, que o governo dos EUA, através da NSA, controla a vida privada de milhões de cidadãos. Os jornais ‘The Guardian’, britânico, e ‘Washington Post’, estadunidense, publicaram os documentos sobre o projeto Prisma, vazados por Snowden em maio deste ano.

Os documentos comprovam que a NSA pode entrar em seu e-mail, gravar todos os seus telefonemas e apropriar-se de todos os dados de seu cartão de crédito, como já vem monitorando a vida privada de quase cinco milhões de cidadãos. Segundo Snowden, basta conhecer o e-mail de uma pessoa para se ter acesso a todo o conteúdo do computador dela.

Com a invenção do Facebook, já não é preciso recrutar espiões. Muitos usuários descrevem ali sua rotina diária, preferências e até intimidades amorosas. Todo adepto do Facebook, ao clicar seu acordo às normas, aceita que todos os seus dados sejam “transferidos e estocados nos Estados Unidos”.

Como Snowden, funcionário subalterno, pôde ter acesso a documentos ultrassecretos? A resposta, segundo analistas, é o pânico que tomou conta dos EUA após a queda das Torres Gêmeas, em 2001. A pressa em recrutar agentes para os serviços de espionagem impede uma seleção mais criteriosa.
O medo do terrorismo doméstico faz com que, hoje, 56% dos estadunidenses apoiem a vigilância telefônica e eletrônica da população. Temos, então, uma democracia sem liberdade e privacidade.

Frei Betto é escritor, autor de ‘O que a vida me ensinou’

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