Alcides Leite: Quem quer faz!

As lideranças públicas podem adotar medidas simples

Por O Dia

Rio - Para que o profundo descrédito que surge com a massa de manifestantes que têm lotado as ruas do Brasil não seja capitalizado por algum líder oportunista, é necessário que aqueles que acreditam na democracia representativa se antecipem e façam as mudanças necessárias. Se as lideranças públicas quiserem de fato responder aos anseios do povo, podem adotar medidas simples.

Algumas sugestões: reduzir de 39 para 20 o número de ministérios e secretarias; baixar de 30 mil para 5 mil o número de cargos de confiança no Executivo federal; enxugar de 4 mil para 1 mil o número de funcionários do Senado. Se algum senador ou deputado quiser ter funcionário em seu estado de origem, que pague do próprio bolso; acabar com os pagamentos indiretos para congressistas; estes têm que trabalhar de segunda a sexta, oito horas por dia; publicação em uma página da internet custos detalhados da construção dos estádios da Copa, item por item para que a população possa comparar com os custos da reforma de sua casa.

Apenas para citar um exemplo: o Papa Francisco está morando em apartamento modesto na Casa Santa Marta, escolheu um carro simples para seus deslocamentos, usa o mesmo anel e a mesma cruz de prata que usava quando era bispo. A maior parte das vezes pega o telefone e liga pessoalmente para seus interlocutores, sem necessidade de usar secretários para fazê-lo.

Acredito que, sem um choque de moralidade, ainda que possa parecer demagógico (isto o povo saberá avaliar), não há caminho possível para recuperar a confiança da população. Quem exerce cargo público tem que dar o exemplo. A democracia representativa pode e deve melhorar, mas ainda é o único caminho possível para maximizar o bem comum de um país de quase 200 milhões de habitantes. Líderes: por favor, não joguem fora o que custou tanto para ser conquistado.

Economista e professor da Trevisan Escola de Negócios

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