Alessandro Molon: O Rio em 2017

Até 2016, o Rio terá intensa agenda a cumprir

Por O Dia

Rio - Até 2016, o Rio terá intensa agenda a cumprir. Copa das Confederações, Jornada Mundial da Juventude, Copa do Mundo, Olimpíadas... Mas e depois que tudo isto passar? Como será o primeiro dia de 2017 para quem terá de viver com as escolhas feitas hoje? Da forma como as mudanças estão sendo empreendidas, dificilmente teremos uma medalha de ouro à espera.

O metrô, por exemplo, está sendo arruinado em nome das Olimpíadas. A extensão da já saturada Linha 1 até a Barra, chamada de Linha 4, apenas criará mais desconforto. Para beneficiar a concessionária, a atual administração ignora estudos favoráveis ao traçado original. Minha ação contra a prorrogação do contrato com o MetrôRio até 2038 segue na Justiça.

Em Magalhães Bastos, a prefeitura defende um traçado da Transolímpica que levará à remoção de casas e estabelecimentos comerciais. Há, no entanto, saída que dispensa a retirada de pessoas: terreno vazio do Exército, bem ao lado, poderia abrigar um viaduto da Transolímpica. Estou lutando para que isto aconteça.

Construído para o Pan de 2007, o Engenhão será palco olímpico, mas não sem antes ficar fechado por 18 meses para reformas. E isto, vale lembrar, tendo custado quatro vezes o valor previsto. A prefeitura não consegue responder quanto custarão nem quando começarão as obras. Laudos e estudos referentes ao Engenhão ainda não são públicos, apesar de eu já os ter requisitado mais de uma vez. A única coisa pública é a vergonha nacional e internacional pela qual estamos passando.

O Maracanã, por sua vez, foi reaberto. Mas para quem? O estudo de viabilidade do estádio deixa claro que os ingressos ficarão mais caros e, portanto, que o público vai mudar. Além de tirar o Maracanã de nosso povo, entregando-o à iniciativa privada mesmo depois de mais de R$ 1,1 bilhão gasto, o governo do estado ainda autoriza que se tire o povo do Maracanã.

Podemos perceber que o legado social não parece ser o foco. Em vez de realizar mudanças que trarão benefícios reais para a população, as competições são usadas como pretexto para desengavetar projetos que há tempos desejavam implantar, mas faltava desculpa.

Deputado federal pelo PT e presidente da Comissão Externa de Legado da Copa e das Olimpíadas

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