Por bferreira

Rio - A loucura de Marco Feliciano me inspira algumas ideias: portador da doença tratável, resolvi pensar qual a melhor maneira de me curar deste aveadamento que me acomete desde a tenra infância. Acho que uma Bolsa Bicha seria bem-vinda (desde que fosse igual ao que a humanidade pratica e praticou sempre): eu receberia um bom dinheiro por mês e diria que virei espada-ativíssima, exercitando a pederastia apenas por baixo dos panos. Igualzinho ao que muitos políticos fazem para desviar dinheiro da corrupção, se declarando honestíssimos.

Por que os psicólogos do mundo não lançam logo a “cura hétero”, fazendo com que toda a humanidade vire bicha e sapatão? Pra que Adão e Eva, se a serpente tá amarrada em nome do Senhor? Se vai faltar água em duas décadas, e a comida não será suficiente, é justo supor que o coito para procriação deverá sair de moda rapidinho.

Portanto, abaixo a dita dura, e viva a dita mole, ui! Ah, pastores, quanta perda de tempo em legislar sobre o desejo dos outros, que nem professam vossas religiões. Talvez o máximo que vocês consigam é cortar um dobrado com vossas famílias e rebanhos, que darão muito trabalho para vocês, porque eles, gente normal que são, apresentarão desejos homo e hétero, porque a vida é assim, incontrolável. Não queria estar na pele de comandados por vocês, porque mais que amar ou educar, vocês querem controlar o fiofó da gente. E pulsão sexual, cada um tem a sua.

Qualquer família em qualquer parte do mundo prova que nós, gays, nascemos em todos os lugares, salpicando o mundo de deboche. É que nos sobra muito pouco para fazer, já que a concorrência é e-nor-me. Porque vamos combinar que só querem nos curar para que todos os bofes sobrem para eles, aliás, para “elas”, que reinariam sozinhas, maravilhosas e únicas. A cura gay pretende nos dizimar para que sobrem pretendentes para os curadores, bando de tribufu de quinta, malamadas. Fiquem frias, bonitas...

E calma, senhores bem-resolvidos com suas mulheres, isto não tem nadica de nada a ver com vocês, que pertencem a esta classe de hétero que não quer nos curar, e nos admitem como uma possibilidade digna de sobrevivência: vocês não nos ameaçam, nós não ameaçamos vocês, entre nós está tudo bem. Nosso problema é com quem quer roubar nosso cílio-postiço, com estas mariconas dos infernos que não param de nos atormentar porque querem dar pinta e os briocos sozinhas. Esta comissão de direitos humanos quer uma reserva de mercado onde só eles possam descer pro play. Neca de pitibiriba, também somos filhos de Deus e queremos gozar como todo mundo.

Milton Cunha é carnavalesco e Doutor em Ciência da Literatura pela UFRJ | E-mail: [email protected]

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