Por bferreira

Rio - O vereador Marcelo Queirós proporcionou à classe política do Rio bela tarde ao presidir a sessão de entrega do título de Cidadão do Rio ao senador Ciro Nogueira, presidente nacional do PP. É que, além das lideranças do partido, como o deputado Simão Sessim e o secretário Julio Lopes e naturalmente o líder Francisco Dornelles, antecessor do homenageado, lá estavam testemunhas de meio século de política carioca.

E a história daquela Casa é muito rica, tendo abrigado nomes ilustres da vida nacional, da política e da cultura. E exemplos de alto nível, como da Constituinte do então Estado da Guanabara, surgido da mudança da capital e, posteriormente, fundido com o antigo Estado do Rio.

Ainda como Distrito Federal, abrigou o maior tribuno do século, Carlos Lacerda, depois governador da Guanabara e personagem influente na história republicana. Mulheres admiráveis, como Lígia Lessa Bastos e Sandra Cavalcanti, e intelectuais, como o embaixador Pascoal Carlos Magno, grande amigo dos estudantes ligados ao teatro e à cultura. Na Constituinte de 60, o povo elegeu time de juristas, alguns muito jovens. Da PUC, vieram recém-formados, como Célio Borja, Nina Ribeiro e Mac Dowell Leite de Castro, e veteranos, como Temístocles Cavalcanti, Gladstone Chaves de Melo, Aliomar Baleeiro e Alberto Cotrim Neto, notável mestre. E políticos experientes como Augusto do Amaral Peixoto. Uma verdadeira seleção, que dignificava o grau de politização do Estado.

O eleitor do Rio, nos anos 50, mostrou todo seu respeito aos militares ao eleger para o Senado três oficiais-generais: Napoleão de Alencastro Guimarães, em 50; Gilberto Marinho e Caiado de Castro, em 54. Em 70, reelegeu Gilberto Marinho e, no antigo Estado do Rio, outros dois oficiais-generais, o marechal Paulo Torres e o comandante Amaral Peixoto, este o maior líder da história da velha Província fluminense.

Logo, é de se supor que o eleitor pode ter aprendido com alguns equívocos e, ano que vem, votar com realismo, na filosofia de que não se mexe em time que está ganhando. Esses exemplos dão margem a esta confiança, apesar de vivermos momentos de manifestações em que uma minoria procura promover exploração político-eleitoral.

Jornalista

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