Por bferreira

Rio - O segundo pronunciamento da presidenta Dilma deixou claro que seu governo continua sendo pautado pelas ruas. A ‘presidência imperial’, estilo de sua personalidade, entrou em crise por causa do movimento popular que se alastrou no país. Com as promessas de novos pactos para a Educação, Saúde, Mobilidade Urbana e Responsabilidade Fiscal, Dilma ‘passou de raspão’ na urgente e necessária oxigenação do sistema parlamentar, embora tenha proposto plebiscito para a reforma política. Dados de pesquisa do Ibope, realizada no calor do movimento que agita o país, nos informam que 83 % dos participantes não se sentem representados pelos partidos, que se demitiram da tarefa de fazer a intermediação entre as demandas da sociedade e o poder público.

Não queremos uma presidenta fraca. O direito de comunicar-se com o povo lhe confere enorme poder na era das comunicações com recursos de mídia fantásticos. Sua autoridade para preencher cargos dos poderes Executivo e Judiciário, o direito de vetar leis do Congresso e o controle sobre a política externa lhe conferem ampla margem de manobra, dentro dos limites constitucionais, sem esquecer da opinião pública. Os poderes legítimos da presidenta são tão grandes, que é indispensável prestar contas ao povo brasileiro, atenta à voz das ruas, ao invés de guiar-se exclusivamente pela apreciação pessoal de suas lideranças e da linguagem marqueteira e demagógica de seus auxiliares.

O povo exige mudanças no rumo que a nação vem tomando. O povo está consciente da crise econômica e da inflação que nos atropela. O povo não aceita a corrupção que astuta, cínica e ardilosamente se instalou em todos os níveis. A obrigatoriedade, expressa na Constituição, de que o povo tenha pleno conhecimento das ações do governo revela uma das maiores garantias de liberdade entre nós.

Sociólogo e professor

Você pode gostar