Ricardo Cravo Albin: Poetinha aos 100 anos

Qual o quê, Vinicius sempre será um poetaço, um maior, um iluminado

Por O Dia

Rio - Poetinha, o Vinicius de Moraes? Qual o quê, Vinicius sempre será um poetaço, um maior, um iluminado. O apelido só era permissível aos que lhe foram íntimos, além de esse diminutivo ser um carinho dos que lhe queriam bem. Neste 2013, o país começa a celebrar o centenário de quem era vários num só. Pois Vinicius foi poeta desde sempre, diplomata de carreira até 1968, letrista de excelência, fundador da Bossa Nova e pai dos filhos dela.

Explico: diplomata de profissão, foi cassado pela brutalidade do AI-5 em 1968. Só em 2010, depois de intensa campanha pública que nós, seus amigos, urdimos no Itamaraty, Vinicius foi promovido a embaixador, o Embaixador do Brasil mais legítimo e verdadeiro.

Como letrista, ao encontrar Tom Jobim em 1956, fez-se pai da Bossa Nova, que eclodiria em 1958, com ele como seu poeta, Tom, seu melodista, e João Gilberto, seu cantor. Foi também pai dos filhos da Bossa Nova, como Carlos Lyra, Baden Powell, Edu Lobo e Francis Hime, só para citar alguns. O fato é que Vinicius seria o mais significativo letrista da MPB desde Noel Rosa ou Orestes Barbosa.

Celebrando-lhe agora o centenário de nascimento, todos já nos mobilizamos em exposições, shows e conferências. Ainda há dias foi aberta na Urca uma mostra de poemas e documentos, destinada às escolas públicas do Município do Rio.

Somando-se a esses esforços, seus muitíssimos amigos nos esmeramos em divulgar sua obra. A ponto de suas filhas queridas, Georgiana e Maria, saírem também pelas escolas privadas e pelo Brasil a falar do ilustre pai.

Quando outubro vier, o país deverá se curvar à grandeza de seu poeta. E — como ele fez no ‘Samba da Bênção’ (com Baden) — todo o Brasil exclamará num grito, ou num sussurro: “A bênção, Vinicius de Moraes, o branco mais preto do Brasil, na linha de Xangô, saravá!”

Ricardo Cravo Albin é presidente do Instituto Cultural Cravo Albin

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