Felipe Prazeres: A música clássica no cotidiano do carioca

Vamos lutando com todas as nossas forças para a música clássica não ser mais um tabu para a população

Por O Dia

Rio - Sempre que me perguntam qual é a minha profissão e eu respondo “sou músico e toco em uma orquestra sinfônica”, na maioria das vezes as pessoas ficam com uma cara de espanto e comentam: “Nossa, que lindo! E dá para viver disso?”. Entretanto, é uma pena que em um país multicultural e extremamente musical como o nosso Brasil aconteça este tipo de reação. Por essas e outras, vamos lutando com todas as nossas forças para a música clássica não ser mais um tabu para a população ou algo que pertença somente a um público mais velho e/ou elitizado.

Orquestra Petrobras Sinfônica (OPES), grupo orquestral do qual eu faço parte, vem realizando um bom trabalho para que a música dita clássica faça parte do cotidiano da vida do carioca. A primeira missão começou com a nossa série chamada ‘Mestre Athayde’, realizada nas igrejas da cidade do Rio de Janeiro. A entrada é sempre franca, o repertório é minuciosamente pensado justamente para atrair e conquistar novos ouvintes, sem contar que quase sempre o maestro interage com o público, explicando um pouco sobre as obras que serão executadas, de modo a preparar o espectador para o concerto em questão.

Há duas semanas, nos apresentamos na Cidade das Artes, na Barra, com concerto regido pelo nosso Diretor Artístico e Regente Titular Isaac Karabtchevsky. O espaço é fantástico, tem excelente acústica e potencial para se tornar uma das melhores salas da América Latina. Merece ser cada vez mais frequentado, não somente pelo público amante de arte e de música, mas também por pessoas que jamais foram a um concerto. Um exemplo foram os ingressos quase esgotados, fato que traz esperanças na conquista do público em uma nova região da cidade.

Em uma época em que o povo está cada vez mais alerta ao que está acontecendo em todo o país, exigindo melhores condições de vida, a Orquestra Petrobras Sinfônica faz a sua parte com o projeto da Academia Juvenil. Este projeto reúne 25 jovens oriundos de mais de 10 projetos sociais espalhados pelo Estado do Rio. Lá, eles têm prática de orquestra, aulas individuais de instrumento e teoria musical. Começamos no início do ano passado e a evolução desses jovens, não somente no aspecto musical, mas principalmente no aspecto social, foi extraordinária. Isso prova que a música é algo que torna as pessoas melhores de diversas maneiras.

Continuamos na luta por um país com mais orquestras, ajudando na educação e divulgando a boa música, sempre.

Felipe Prazeres é Regente Assistente e Spalla da Orquestra Petrobras Sinfônica.

O colunista Fernando Molica está de férias.

Últimas de _legado_Opinião