Por bferreira

Rio - O dispendioso Parlamento brasileiro goza de uma miríade de benefícios, muitos deles questionados pela massa que toma as ruas há um mês. O recesso que ora se inicia e se estenderá até agosto, porém, é uma afronta. Em tempos de calmaria, já seria improdutivo e jocoso interromper os trabalhos, como se fosse questão de vida ou morte tirar uma quinzena para dormitar ou ver o Mickey. Como se sabe, o clima no país está longe de ser plácido. Discussões complexas e sérias que podem redefinir o curso da República estão em todas as rodas — mas o Congresso achou por bem deixar para depois.

Teme-se a repetição do odioso hábito de empurrar com a barriga, esporte em que os legisladores são peritos. A pressão das ruas reduziu a desfaçatez dos maus políticos, mas o Congresso é soberano e algumas vezes usa essa prerrogativa para agir como clubecos desinteressados.

Notícias dão conta de que a Reforma Política só valerá para as eleições de 2018. Decerto o debate é amplo e não pode gerar ideias atabalhoadas, mas as alterações são urgentes, não podem ficar na pasmaceira. Há interesses em jogo, também: gente que quer mexer para ontem e os que lutam por derrubar ou ao menos protelar a empreitada. O Brasil, contudo, não pode prescindir da discussão e sobretudo de ações concretas.

Já que as férias de julho são inevitáveis, e pagas com o dinheiro dos contribuintes, que os nobres congressistas descansem, reflitam e voltem ao batente, mês que vem, como colegiais regressos do recesso, ávidos por rever os colegas e por retomar os trabalhos, para o bem próprio e de seu futuro.

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