Por bferreira

Rio - Uma das prodigiosas falas do primeiro ‘Tropa de Elite’, proferida pelo icônico Capitão Nascimento, talhou: “Bota na conta do Papa”. Era uma morte de um suposto traficante, provocada sob tortura, para obter informações. Na ocasião, o Bope tinha a missão de ‘apaziguar’ a cidade para a visita de João Paulo II e, pelo enredo do clássico, tinha ‘direito’ a uma conta, que poderia abraçar autos de resistência e outros pecadilhos policiais. Ficção. A realidade, a partir de hoje, quando Francisco chega ao Rio, é bem diferente. Existe uma ‘conta do Papa’, mas esta é mais profissional e muito maior que a mostrada no filme.

Aparato nunca antes visto na história da cidade já está ativo. O resultado se faz sentir, por exemplo, nas barreiras montadas nas estradas que chegam ao estado. As polícias Federal e Rodoviária registraram durante a semana volume de apreensões acima do normal. A tecnologia usada, com drones e câmeras, também é notável — fora o imenso efetivo mobilizado, de quase 14 mil homens. Oitocentos deles já estarão a postos no passeio de Sua Santidade em carro aberto logo mais.

Todos temem os protestos, cuja ausência de lideranças e causas concretas preocupa as autoridades. Há uma apreensão sobre a repressão a prováveis protestos — como se a ‘conta do Papa’ desse salvo-conduto para se descer o malho. Evidentemente que o clima da Jornada é bem diferente. Se existe uma minoria disposta a tumultuar o evento ou a coisa pior, não é com o pé na porta ou com o sarrafo que se conseguirão resultados. Basta usar a tecnologia e a inteligência. E, por que não, confiar na fé e no pedido de paz dos jovens.

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