Por bferreira

Rio - A segurança falhou, a logística urbana subestimou, teve manifestante exaltado, e a polícia voltou a exagerar na violência. Apesar de tudo, o carioca ofereceu ao Papa Francisco uma calorosa acolhida, uma festa multicolorida de fé, respeito e emoção. É praticamente impossível garantir a perfeição e zerar os imprevistos em evento de multidões como este — e há tempo para corrigir os problemas —, mas não dá para negar o saldo positivo desta véspera do início da Jornada Mundial da Juventude.

Das falhas: Esboça-se um respeitoso jogo de empurra em relação ao momento mais crítico do traslado de Francisco entre a Base Aérea do Galeão e a Catedral Metropolitana. O Santo Padre ficou preso no diuturno engarrafamento da Avenida Presidente Vargas — e cercado de fiéis — por “desconhecimento”, “mudança de itinerário” e até “vontade do Vaticano”. Situação tensa e incondizente com o quase paranoico aparato de segurança. Merecem atenção ainda o travamento do trânsito na chegada à Rodoviária Novo Rio, fruto de planejamento insuficiente, e o novo protesto com pesada reação da PM no Largo do Machado. Repetiu-se a tática do sufocamento, em que mais inocentes e menos baderneiros pagaram na contenção do ato.

Mas, repita-se, nada disso tira o brilho da recepção do carioca aos festivos peregrinos e ao Bispo de Roma. O Rio, historicamente uma cidade hospitaleira, fez jus a seu espírito acolhedor — e o roteiro do Papa pelo Centro, agenda incluída de última hora, fez das avenidas lugar de encontro da juventude e da fé. Corrijam-se as falhas, e teremos uma Jornada para o mundo nunca mais esquecer.

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