Por bferreira

Rio - Todos devem estudar, e se possível fazer Doutorado. Estudo abre os horizontes, e acesso à informação é uma das formas de tornar-se um humano melhor. Fui convidado pelo Ministério da Cultura (Rio) para participar semana passada do debate “.art”, que realizou- se na Biblioteca Nacional. A mesa era composta pela vivaz e competente Carla Camurati, pelo internacionalmente renomado Gringo Cardia e pelo representante do Ministro da Educação, Sr. Meira.

O tema era a arte e a técnica. La Camurati contou-nos de sua Escola de Espetáculo, uma parceria do Theatro Municipal com o Scala de Milão, que formará professores das técnicas clássicas de cenografia, figurino, perucaria, maquiagem, iluminação, etc. Pedi que as aulas libertassem os alunos. Que a partir do apreendido na Europa, nossos técnicos pudessem desenvolver técnicas suas. A partir de perucas, faríamos cabelos de palha de milho, porque sempre só com o canecalon francês é muito chato e limitante. Depois El Cardia contou de sua maravilhosa ONG com Marisa Orth, que há dez anos ensina jovens um ofício das artes. Exaltei a vertente brasileira que produziu técnicos únicos no mundo, nosso povo de barracão, incomparáveis artesãos, que, sem formação específica, produzem o maior espetáculo da Terra. Bati cabeça para escultores que, sem fazer cálculo, esculpem as mais inacreditáveis peças. Insondável talento dos técnicos do ziriguidum. Depois, Meira falou da instalação do projeto Universidade das Artes.

Carla pediu para consultarem gestores para tentar “aproximar Brasília do resto da vida prática brasileira”. Foi quando um senhor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte perguntou como seria possível contratar uma velha rendeira para dar um curso de extensão e capacitar jovens, pois ela pode morrer a qualquer momento e levar para o túmulo o jeito de rendar. Não pode ser contratada pois não tem “conhecimento certificado”. Mas e o notório saber, certificado pela vida? Meira falou sobre a legalidade disto, o caos daquilo, a regulamentação, mas... não conseguiu dizer “não, você só pode contratar conhecimento universitário”. Foi aí que concluí, para delírio da galera: “Como o senhor não pode, burle a lei e pelo amor de Deus dê um jeito de contratar esta sábia mulher”. É uma ilegalidade, mas levará anos para ser legal e nós temos pressa porque o conhecimento não certificado (mas que nos define como nação) está morrendo e temos que fazer algo, mesmo que passando acima da lei”. Condenável, mas acho que é isto que tem sido feito para resguardar nossas tradições, sem o diploma dos “brancos”.

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