Por bferreira

Rio - O leitor já deve ter dito a frase muitas vezes e a leitora ouvido outras tantas. Mas foi a primeira vez que me aconteceu: no sábado passado minha crônica saiu pela metade. O resto foi para o espaço, junto com a legenda da foto, e deve estar vagando em alguma galáxia virtual. O pessoal da redação tentou me avisar, mas passei o dia num lugar onde celulares são tão inoperantes quanto os 39 ministérios da Dilma.

A crônica foi cortada no pedaço em que conto a gafe que quase matou Henfil de vergonha, quando me apresentou a Aluisio Alves. Disse para o cacique da política potiguar: “Sou amigo de um Alves lá no Rio, o Ataulfo.” Pedindo perdão aos leitores, editores e diagramadores desta página pela mancada, aí vai o restante da crônica: Para quem quiser se desligar de tudo o Rio Grande do Norte é o lugar ideal. Os jornais do Rio e de São Paulo não chegam sequer ao aeroporto de Natal. O único contato com o resto do mundo é pela TV. Na telinha com chuvisco ficamos sabendo das coisas através do ‘Jornal Nacional’. Por falar em chuvisco, não parou de chover durante os dez dias que passamos lá. Fomos direto para a Praia da Pipa, a 80 km da capital.

Mas o melhor da viagem foram as histórias do “seu” Dedê, contadas pelo motorista, genro dele. Por exemplo, a do cavalo que comprou do sogro por Cr$ 2.500, “preço simbólico”, já que o bicho era premiadíssimo. Devia ter perguntado em que ano ganhou os prêmios. A primeira dificuldade foi fazer o cavalo desempacar. Depois, ao desmontar , viu que as calças estavam manchadas.Para resumir: o equino era idoso, o pelo tinha sido pintado de castanho. “E aí?”, perguntei. “Pintei de preto e passei adiante”. E qual era a profissão do sogro? Trocador. Nada a ver com ônibus. Nas feiras do interior tem o Canto das Trocas. Vocês no sul chamam de escambo, explicou. Dedê vivia disso.

Come-se muitíssimo bem, não só buchada e carne de sol mas também o fino da gastronomia internacional. Para citar um exemplo: o Brasserie de la Mer, do Erik Jaquin, em Natal, é tão sofisticado quanto os melhores restaurantes do Rio e São Paulo — toalhas de linho, taças de cristal, talheres de prata, adega espetacular — mas cobra a metade do preço daqui. E o chef potiguar comanda as panelas com a mesma competência do Jaquin . Mas aí correu a notícia que a polícia local ia entrar em greve. “O bicho vai pegar”, disse para Célia. E resolvemos voltar para a segurança do Leblon. Chegamos no dia do quebra-quebra na Ataulfo de Paiva.

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