Editorial: Graças e desafios da saúde

É preocupante pensar como vai ficar a Previdência Social

Por O Dia

Rio - O aumento da expectativa de vida no Brasil, com melhoria esplêndida no Norte e no Nordeste, afasta cada vez mais o país do ranço do subdesenvolvimento, mas, paradoxalmente, lhe descortina problemas de nação saudável. Se vive-se mais, há que se pensar na aposentadoria da numerosa e crescente parcela idosa da população.

Outro indicador básico, atrelado à expectativa de vida, também traz dados animadores. É a mortalidade infantil. Há 30 anos, para cada mil nascidos, 97 não completavam um ano no Nordeste. Este número despencou para 23, o que ainda é alto, mas o avanço é inegável. A longo prazo, tende a cair mais. Isso graças ao Bolsa Família: a transferência de renda, ainda que pequena, permite o acesso não só a alimentação de qualidade, mas sobretudo a itens de higiene e medicamentos. O cuidado se reflete na saúde da população em todos os seus segmentos.

É preocupante, porém, pensar como vai ficar a Previdência Social. Trata-se de um vespeiro. Historicamente, a conta não fecha, com seguidos rombos já numa época em que os inativos não eram tão numerosos. Com o aumento da expectativa de vida, mais gente chegará à terceira idade. O governo, contudo, é sistematicamente pressionado pelos aposentados, que — com justiça — reclamam de arrocho, descontos elevados e desassistência. Aumentar no susto a contribuição definitivamente trará mais problemas do que soluções.

De onde se conclui que não se pode mais adiar o debate. O país carece de soluções práticas e urgentes; do contrário, vai se afogar em dívidas insolúveis.

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