Por tamyres.matos

Rio -Dois casos de desrespeito aos Direitos Humanos estarrecem os cidadãos do Rio: o desaparecimento do pedreiro Amarildo na Rocinha, após ter sido detido por PMs “para averiguação”, e a denúncia de abuso policial no Morro do São Carlos por um grupo autodenominado ‘Bonde dos Carecas’. Ocorrências gravíssimas que trazem apreensão, pois reavivam o que havia de pior nas duas comunidades antes da pacificação. Se confirmado o envolvimento da polícia em cada caso, a história fica ainda mais absurda.

Em relação a Amarildo, cidadão que atraiu a atenção do Brasil todo — que cobra esclarecimentos sobre seu paradeiro —, detalhes chamam a atenção. É no mínimo conveniente a ‘coincidência’ de as câmeras da UPP da Rocinha estarem ‘quebradas’ quando da suposta liberação do pedreiro e de o GPS da viatura que o conduziu estar ‘desligado’. Mecanismos que trabalham para ajudar o policial honesto no mínimo deixam de elucidar uma história nebulosa.

Não à toa a ministra Maria do Rosário, dos Direitos Humanos, pôs os agentes da UPP como principais suspeitos — o que gerou enérgica reação do secretário Beltrame, ao pedir cautela. Ótimo, porque aí se aceleram e se aprofundam as investigações.

Mas não menos grave é o que se passa no São Carlos. Relatos contam que a força que deveria garantir a paz e restabelecer a cidadania age no extremo oposto, impondo toque de recolher, ameaçando moradores e cerceando seus direitos — quadro praticamente idêntico à realidade do tráfico. Violências gratuitas intoleráveis que podem comprometer uma série de avanços inegáveis em direção à paz no Rio de Janeiro.

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