Frei Betto: Igreja aberta ao mundo

Papa Francisco evitou tocar nos temas polêmicos que desafiam a Igreja Católica, como a moral sexual

Por O Dia

Rio - O Papa Francisco cativou o povo brasileiro por sua simpatia, simplicidade e o sorriso sempre estampado no rosto. Evitou tocar nos temas polêmicos que desafiam a Igreja Católica, como a moral sexual. Preferiu delinear seu perfil de Igreja: missionária, voltada ‘para fora’, engajada na periferia e servidora dos pobres. Disse que a atuação pastoral da Igreja deve dedicar especial atenção às crianças, aos jovens e aos idosos.

Desafiou os cristãos a combater a “cultura do descartável”. Falou também de política, ao frisar que se deve combater a corrupção e, ao mesmo tempo, alentar a esperança em “um mundo mais justo e solidário”. A solidariedade deve ser o eixo de nossa pastoral, disposta a “colocar mais água no feijão”.

A política precisa “evitar o elitismo e erradicar a pobreza”, condenando os opressores, como fez o profeta Amós ao denunciar que “vendem o justo por dinheiro e o pobre por um par de sandálias.” Francisco deixou claro que a Igreja deve retomar o seu profetismo, ser a voz dos que não têm voz. Salientou que é preciso recuperar a confiança dos jovens nas instituições políticas, alentá-los na esperança; e “reabilitar a política, uma das formas mais altas de caridade.”

Apoiou as manifestações dos jovens nas ruas ao frisar que merecem o nosso apoio, pois “eles saíram às ruas do mundo para expressar o desejo de uma civilização mais justa e fraterna.” Lembrou que a sociedade futura, “mais justa, não é sonho fantasioso”, mas algo que podemos alcançar. Os jovens devem ser os “protagonistas da história”, construtores do futuro, de um mundo melhor.

Agora, há algo de novo na barca de Pedro, cujas velas são tocadas pelo sopro do Espírito Santo.

Frei Betto é escritor, autor de ‘Um homem chamado Jesus’ (Rocco)

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