Wilson Diniz: Dilma, repense o discurso

A presidenta Dilma deve conhecer a trajetória de Roboão, rei de Israel

Por O Dia

Rio - Recorrer aos manuais da história para tirar referências dos erros e acertos dos grandes líderes é o ponto de partida para se evitar o fracasso do governante que está passando por ciclos críticos de baixa aceitação popular.

A presidenta Dilma deve conhecer a trajetória de Roboão, rei de Israel aos 41 anos, filho de Salomão, deposto do trono ao não ouvir o clamor do povo pedindo reformas. Outros governantes cometeram tamanha insensatez, embriagados pela vaidade doentia e pelos conselhos dos áulicos mais próximos que o assessoram.

Mao Zedong protagonizou um dos maiores momentos da história da humanidade. Liderou a Revolução na China em 1949, mas tinha consciência de que cada ciclo é temporário. O desequilíbrio é normal e absoluto, e a popularidade de um governante é passageira e relativa.

Os movimentos dos jovens que ocuparam as ruas do país sinalizam que a rotatividade do poder faz parte do processo democrático, onde os governantes são eleitos pelo voto popular.

As manifestações desse eleitorado sem representação partidária e sem a condução de um líder político cria um tecido social fértil para manipulação e surgimento de bandeiras ultraconservadoras de direita e de esquerda que coloca em alerta a classe política. Nos movimentos na Zona Sul do Rio, há sinais do surgimento da direita saudosista dos anos 70 e de uma minoria de militantes radicais da esquerda marginal.

Na Europa os jovens derrubaram 14 governos. O socialista François Hollande, presidente da França, pode não ser reeleito. No Chile, Bachelet, a candidata da esquerda, pode ser novamente eleita, e Dilma navega na faixa viável de 32% de aprovação para ser reeleita no segundo turno. No entanto, é preciso repensar o discurso, cortar ministérios, substituir a equipe econômica e ouvir...

Economista e analista político

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