Por tamyres.matos

Rio - É fato a incorporação ao cotidiano da vida nacional de protestos, pelos mais diferentes motivos. Uns legítimos, manifestações ordeiras; alguns se prestando a vandalismo e outros tantos a perturbar a vida dos que precisam transitar por estradas frequentemente interrompidas.

Já têm mais de dois meses essas manifestações, que já beiram o mau gosto, a grosseria e o mais elementar direito democrático, que é o de ir e vir do cidadão. A mais, são perseguições políticas ou pessoais, insistentes, sem o menor amparo no bom senso que deve regular as relações entre as pessoas.

Os governadores foram inicialmente envolvidos em denúncias de supostos exageros das polícias. Mas testemunhas e as filmagens disponíveis sempre mostraram a iniciativa da violência partindo dos ‘manifestantes’.

O patrimônio histórico foi desrespeitado no Rio, onde nem a estátua do patrono cívico da nação, o Tiradentes, foi poupada. A Igreja da Antiga Sé, palco da coroação de D. João VI como rei de Portugal e de nossos imperadores, foi atacada, assim como o Paço Imperial. Em Minas e São Paulo, foram estabelecimentos comerciais vandalizados, sem a presença da polícia. Em Brasília, centro do poder, Congresso e ministérios foram atacados.

Como boa parte das autoridades é oriunda dos movimentos de oposição não convencional aos governos militares, eleitos pelo Congresso Nacional, habituados a manifestações fora dos padrões da ordem desejada, consideram que manifestante tudo pode e cabe à polícia, quando muito, assistir.

Como se não fosse seu dever constitucional defender a ordem, o patrimônio público e privado de atos de selvageria. Este tipo de ação vem se tornando prática impune, como foi o caso da depredação da Câmara dos Deputados, no governo Lula. Antes, foram greves nas próprias polícias, sendo de se recordar os horrores das de Salvador e Palmas. Bagunça não é democracia.

Pelo contrário, democracia é ordem, sem a qual não existe progresso. A mais, as manifestações perderam o apelo popular, pois os recados importantes foram dados. A paciência do povo parece ter se esgotado. E a das autoridades?

Aristóteles Drummond é jornalista

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