Por tamyres.matos

Rio - Recentemente, assistindo a uma entrevista com o economista Roberto Campos gravada em 1997, uma frase me chamou a atenção: “A tarefa de construção de instituições é mais importante que a tarefa de exaltação de pessoas.” De fato, as instituições, quando assentadas em bases sólidas, tendem à permanência. Podem, para o bem ou para o mal, sobreviver às pessoas. Dado o seu caráter perene, é fundamental conhecer sua natureza.

No livro “Por que as nações fracassam” (2012), os economistas Daron Acemoglu e James Robinson são enfáticos em afirmar que elas são determinantes para o sucesso ou fracasso de um país. Para eles, os Estados que prosperam são exatamente aqueles que conseguem construir instituições inclusivas.

Destaco algumas características de tais instituições: a garantia de direitos de propriedade, uma Justiça imparcial, serviços públicos que estabeleçam ambiente onde as pessoas possam realizar trocas comerciais e firmar contratos, facilidade para o estabelecimento de novas firmas. Tais garantias devem estar asseguradas para a população como um todo, e não apenas para a elite.

Será que não deveríamos prestar atenção a essa lição? A título de ilustração, considerando o índice de liberdade econômica da Heritage Foundation, o Brasil ficou na 100ª posição. Se considerarmos o índice que mede a facilidade de se fazer negócios do Banco Mundial (2013), o Brasil fica na 130ª posição.

Apesar de os índices referidos não medirem exatamente a inclusividade de nossas instituições, eles nos dão uma clara ideia do quanto devemos melhorar. Portanto, uma agenda de reformas tendo como meta a melhoria na natureza de nossas instituições deveria estar na ordem do dia.

Sergei Vieira é professor do Ibmec

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