Por bferreira

Rio - O programa das Unidades de Polícia Pacificadora está longe de se encontrar em crise, mas problemas pontuais e desafios em áreas mais complexas obrigam o governo do estado a rever a estratégia. O DIA mostra hoje o difícil quebra-cabeças a ser montado na Maré, próxima comunidade a receber a UPP. O grande agravante é que o Alemão, que deveria servir de modelo para a ocupação, dá preocupantes sinais de despedaçamento. Somam-se a isso os lamentáveis episódios do pedreiro Amarildo e outros nos quais comprovadamente houve corrupção policial — e mostrados pelo DIA —, como no Complexo de São Carlos.

UPPs se diferenciam dos Grupos de Policiamento em Áreas Especiais (Gpaes) pela proposta ampla e multidisciplinar de enfraquecer o tráfico e reintegrar a favela ao Estado. O projeto teve esplêndido êxito na primeira dúzia de unidades implantadas, quase todas na Zona Sul, e multiplicou-se com sucesso semelhante na Zona Norte. Logo verificaram-se os problemas de êxodo dos traficantes, que passaram a aterrorizar outras áreas, e identificaram-se os primeiros pontos de resistência, muitos amparados por malfeitos da tropa.

O Alemão foi a conquista maior da UPP, na histórica tomada de 2010, e paradoxalmente se tornou a maior dor de cabeça do programa, dados os sucessivos combates em seu território. É evidente que o modelo, ao menos nas comunidades maiores, tem de mudar. Não basta formar policiais indefinidamente, pois está claro que só o efetivo não basta — isso era a matriz dos Gpaes. Para que a pacificação do Alemão dê certo e, a reboque, garanta a da Maré, é preciso ampliar a visão e fazer valer a cidadania.

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