Por tamyres.matos

Rio - Impressiona a capacidade do transporte público do Grande Rio de escancarar suas deficiências, cada vez mais diversas e irritantes. A semana ficou marcada pelo ataque de fúria coletivo na SuperVia após pane nos trens, com gente obrigada a caminhar nos trilhos entre composições em movimento.

Nada justifica a depredação do patrimônio — ato que sempre pode pôr pessoas em risco —, mas a desorganização e o desamparo frequentes, sem que haja efetiva melhora, testam ao limite a paciência de quem depende do sistema. Essas duas deficiências específicas se evidenciam, de novo, em reportagem que O DIA publica nesta edição: o martírio que é depender de ônibus nas madrugadas.

Grandes metrópoles não desamparam os passageiros, mantendo o serviço em escala reduzida, porém organizada. No Rio, parece vigorar toque de recolher, como se à meia-noite as ruas fossem tomadas por zumbis carniceiros. Há trabalhadores na madrugada, mas para eles não existem metrô, trem ou barcas. Também nesse período circulam turistas e gente que quer se divertir, mas a tarefa se torna inglória àqueles que não têm carro nem dinheiro para o táxi — aliás, outro serviço a desejar.

Desenvolvem-se táticas, sempre escoradas no bom humor, para o deslocamento tarde da noite. A resignação, o improviso e as incertezas não podem dar a tônica do transporte de ônibus na madrugada. Não se está exigindo frota completa o dia todo, pois há um custo para mantê-la rodando, mas, sim, um mínimo de organização. Nesse ponto, viria em boa hora o controle de carros por GPS, com o qual se preveem viagens e se facilita a vida do passageiro.

Você pode gostar