Por bferreira
Publicado 02/09/2013 23:51

Rio - Cubanos e profissionais de outros países chegam para ocupar as vagas que os médicos brasileiros, em número insuficiente, nunca foram capazes de preencher nos rincões, nas periferias, nas comunidades quilombolas e ribeirinhas e em terras indígenas. Mas o desafio que os aguarda é bem maior do que reverter o histórico abandono da saúde nas regiões mais pobres e remotas. Antes terão que enfrentar a incompreensão.

Muita coisa estúpida sobre estes abnegados profissionais tem sido dita por meio da imprensa e das redes sociais. Temos como exemplo a jornalista potiguar que postou que as médicas cubanas têm cara de empregada doméstica. Ou o deputado, conhecido por seu preconceito e intolerância, que disse em artigo que os médicos são agentes castristas que chegam para implantar o comunismo no Brasil. E ainda os médicos brasileiros que foram ao aeroporto vaiar o desembarque dos colegas estrangeiros. Quanto preconceito e ignorância!

Já não adianta apontar que erramos no estabelecimento de políticas públicas de saúde e formação de médicos. O fato é que há pessoas sofrendo e morrendo por falta de assistência. Se você vivesse numa cidade sem médicos, certamente ficaria feliz quando chegasse um.

Este episódio demonstra que muitos brasileiros têm enorme dificuldade para entender que certas pessoas vivem de acordo com outra lógica, na qual o dinheiro não é o elemento central e a solidariedade é o motor das ações. O mundo inteiro aplaudiu quando 1.200 médicos e enfermeiros cubanos chegaram para socorrer as vítimas da tragédia no Haiti, destroçado pelo terremoto e pela cólera. A ‘monumental’ ajuda prometida pelos EUA nunca chegou — mas disso não se fala. Mas quando se trata de socorrer as vítimas da tragédia da saúde pública brasileira o que se ouve são os apupos corporativistas e xenófobos.

Deputado federal pelo PT

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