Por bferreira

Rio - Frequento museus no mundo inteiro. E estou orgulhosíssimo de o prefeito Eduardo Paes ter feito o Museu de Arte do Rio, ali na Praça Mauá, com seu teto em forma de ondas do mar. São dois pavilhões, um só dedicado ao grande projeto educativo, o que faz dele mais que um museu. Trata-se de um polo que mistura arte e educação, tendo a escola do olhar como grande catalisador a juntar o museu, as instituições de cultura, as escolas de primeiro e segundo grau, sem esquecer da comunidade do entorno ali do cais do porto. Quer mais ou tá bom?

Tem muito mais. Como se não bastasse a pegada democrática do museu, que sabe que, se não formar plateia, alunos e professores, que considerem aquilo sedutor ou pelo menos inteligível, os museus continuarão a ser esta coisa passiva, às moscas, chatérrima e sem conexões com a atualidade, esta sim, tão apelativa e magnetizante para os jovens.

No térreo, além de comprar o ingresso baratinho, você pode ir à cafeteria ou à linda lojinha de produtos que celebram a cidade e a arte. Pegando o elevador, você sai no sexto andar, o grande mirante, de onde você, pasmo, observa a belezura da baía e o Morro da Conceição. É ali que fica o restaurante Mauá, uma pérola para o mais agradável dos almoços. Programa obrigatório para os cariocas, ponto final. Passada esta parte que você pode fazer de graça, aí sim tem a catraca onde você mostra o tíquete e entra na grande língua que leva de um prédio a outro. Você sai no grande salão com a coleção permanente, obras lindas que têm o Rio como tema, a visão que os artistas há mais de dois séculos usam para fazer pinturas, esculturas, fotos e instalações. Destaque para o gigantesco painel que faz você passear na Avenida Central, atual Rio Branco, em 1906.

Você vai vendo os prédios passarem, de uma ponta a outra. Uma grande sacada, muito bem realizada. Descendo mais um andar, você se depara com as duas grandes salas que guardam a coleção Jean Boghici, composta de emblemáticas obras nacionais e internacionais, tudo mostrado com um trabalho de curadoria e expografia que nos coloca no patamar dos melhores do mundo, pois o suporte de cabos de aço segurados por cubos de concreto, em espiral e círculos em quatro profundidades, faz com que tanto as obras como a forma de expô-las estejam ambas sintonizadas num conceito artístico da mais elevada categoria. Um arraso!

E no térreo, novamente, duas exposições da modernidade, multimídias. Uma com quatro telões exibindo as inquietantes performances da artista Berna Reale e outra com os restos urbanos de Yuri Firmeza. Parabéns a todos, em especial a Paulo Herkenhoff.

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