Editorial: A que ponto nós chegamos?

Isoladamente, é surreal a lei que proíbe máscaras no estado, a não ser no Carnaval — o que atenta contra o festivo estado de espírito da cidade e sobretudo contra valores de liberdade

Por O Dia

Rio - Isoladamente, é surreal a lei que proíbe máscaras no estado, a não ser no Carnaval — o que atenta contra o festivo estado de espírito da cidade e sobretudo contra valores de liberdade. Mas é preciso avaliar a questão com bastante atenção e considerar a medida um mal necessário. A saber: chegou-se a um ponto insustentável; o anonimato das máscaras ou dos rostos encapuzados alimentou nos últimos protestos uma descabida violência, que ofuscou a causa. A imagem que fica é a de cidadãos de bem acuados, logradouros destruídos e confrontos com a polícia. Enxugava-se gelo: quanto mais se batia, mais crescia a ‘revolta’, e mais barbárie surgia nas ruas.

É preciso cobrar pela eficiência da lei, cujos objetivos diretos são coibir a depredação gratuita por pura ‘agitação’ ou ‘indignação’ e sobretudo identificar onde estão os focos da violência. De letras mortas, nossa legislação está farta. A lei que proíbe máscaras deve também marcar uma nova fase das abordagens da polícia, com menos pancadaria e mais inteligência e precisão — para se chegar aos autores da intransigência.

Cabe fazer um contraponto. Após mais de um mês de braços cruzados, professores da rede municipal decidiram encerrar a greve. Durante a paralisação houve protestos, todos pacíficos e com pleno apoio da população. Está claro que, esgotadas as vias de diálogo, é inevitável criar transtorno. Mas há limites para isso.

É exatamente o que falta no imbróglio com encapuzados de preto. A democracia respalda o direito a manifestações, mas jamais dá salvo-conduto para a violência. Espera-se que o quadro mude a partir de agora.

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