Por adriano.araujo

Rio - Sempre amei demais, mas nunca sequer fui capaz de mensurar o que é amor de mãe. É sentimento e vivência que só experimentando para saber. Nao é como tudo na vida, pois sobre algumas coisas pode-se ter uma ideia bem real sem ter a experiência, com suposições, comparações, vendo fotos e vídeos...

O amor de mãe começa na notícia da gravidez e nasce com o filho com a força de um parto, no ritmo da dor e das contrações, profundas e ritmadas, cada vez mais intensas e menos espaçadas, urgente. Quando se conhece o rostinho do seu bebê, explode em forma de choro festivo, com força do âmago, arrebata, tira as suas defesas como nunca se experimentou.

Fica-se inteiramente servo daquela criaturinha indefesa, que se desenvolve a cada dia, cheia de vida. Frágil, porém forte como a natureza; ignorante, embora sábio de intuição como nenhum adulto; disposto, compreensivo, curioso, tomando conhecimento de tempo e espaço, tateando limites, reclamando apenas do que tem que reclamar, em forma de choro, de acordo com as suas necessidades. Como seria bom que mantivéssemos esses dons com o passar das fases.

Uma aula de vida, de aprendizado, de como com nada somos capazes de tudo. De errar e logo acertar, de melhorar sem chance de retrocesso, de sorrir por reflexo, entender a vida por instinto, ter linguagem corporal própria, reativa ao meio, e sempre na direção certa, sem que te indiquem um caminho.

Estou aqui, para o que esse bebê precisar, embora hoje seja ele quem me ensina muito mais e me mostra o que é amar demais, bem mais do que a medida que o meu muito já conhecia. Uma emoção por dia, um dia de cada vez, recuperando a força e a calma, reaprendendo a viver. Chega a doer, mas é altamente recomendável. Uma emoção que envolve e lubrifica cada órgão seu. Um amor sólido e inabalável. Um sopro de vida. A chance de viver duas vezes.

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