Leandro Souto Maior: Eu vi rock no Rock in Rio

O rock precisa de uma grande banda que ultrapasse as barreiras das rádios e não se restrinja ao circuito elitizado

Por O Dia

Rio - Rock in Rio sim, outro também, a grita dos descontentes começa tão logo se anuncia a realização da próxima edição: “Como pode um evento que se chama rock não ter rock na programação?”. Eu fui. E vi muito rock por lá, acredite. Vi guitarras em brasa nos shows de Vintage Trouble, Living Colour, Autoramas + BNegão (este, uma porrada sonora), Marky Ramone, Detonautas tocando Raul Seixas, Offspring, dos portugueses Aurea + Black Mamba (uma blueseira danada), isso no Palco Sunset, onde passaram ainda Nando Reis e Samuel Rosa. Sim, o que eles tocam é rock. Há quem diminua, classificando de ‘pop’, mas ‘pop’ é só uma redução de ‘popular’, não um gênero musical. Por isso, Capital Inicial e Jota Quest (sim, o Jota Quest) também representaram o rock no festival (verdade que este ano não fizeram algo que se possa dizer “uau, que show incrível!”).

Mais tímido, o rock pulsou também no Palco Mundo: no tributo a Cazuza, no 30 Seconds To Mars, na Florence And The Machine e no Muse. Também teve guitarradas na Rock Street. Ah, sim, teve Beyoncé, Ivete e Timberlake, mas é bom que seus fãs tenham a chance de conhecer os roqueiros que por lá tocaram. Quem sabe não mudam de tribo? Há outros festivais monotemáticos ao rock, mas o Rock in Rio sofre por ter declamado o nome do rock em vão. Fosse Music in Rio, algo assim, quem sabe os roqueiros estariam comemorando a vinda de Rob Zombie, Ben Harper, Donavon Frankenreiter, Alice In Chains, Matchbox Twenty, Nickelback, Metallica e Iron Maiden. Sem falar em Frejat e Bon Jovi, que, vá lá, são ‘pop’, mas no fim das contas são personagens do universo do rock brasileiro e mundial.

Ah, mas esses artistas não estão entre os seus preferidos? Faltam medalhões? Cadê o AC/DC? Meu lamento é mais pela falta não dos dinossauros, mas de novos nomes fortes. As bandas que vêm surgindo não têm a potência das antecessoras e, com o trono vago, outro rei inicia seu reinado. Como oportunamente questionou um amigo, o produtor fera Paulo Lopez, qual banda de rock (nova) é uma unanimidade (como foram Stones e Nirvana) e faz a cabeça dos jovens? Qual estrela do rock é a sensação nacional? Qual é o grupo mais famoso do mundo? Que conjunto nacional ou internacional representa essa geração? O rock precisa de uma grande banda, ou uma geração delas, que ultrapasse as barreiras das rádios, chegue à população e não se restrinja ao circuito elitizado ou do underground. O rock precisa de juventude, o rock sempre foi jovem, mesmo feito por velhos.

Leandro Souto Maior é jornalista especializado em música e guitarrista

Últimas de _legado_Opinião