Editorial: Atitude drástica e temerária

No momento em que decidem tomar a Câmara indefinidamente, condicionando a ‘desocupação’ ao atendimento de suas exigências, os professores forçam perigoso precedente.

Por O Dia

Rio - Em tempos onde manifestação virou sinônimo de confusão — algo bem diferente dos históricos protestos de junho —, a greve dos professores, expressa em atos pacíficos, merecida e rapidamente ganhou apoio integral da sociedade. Todos têm ciência da luta diária dos profissionais da Educação e tendem a considerar justas suas reivindicações. Seria desperdício histórico deixar que esse imenso apoio popular se perca em caminhos tortuosos, como o da ocupação do Legislativo para forçar a aprovação da pauta da categoria.

As negociações, é bom frisar, estavam ásperas antes mesmo desse episódio, e a Justiça já havia tomado medidas contrárias aos grevistas. Ainda assim, os professores — preocupados não apenas com os salários e planos de cargos, mas também com relevantes questões pedagógicas — optaram por estender o protesto. A esta altura, despertaram na população a apreensão pelo ano letivo, por alguns considerado perdido.

Mas, no momento em que decidem tomar a Câmara indefinidamente, condicionando a ‘desocupação’ ao atendimento de suas exigências, os professores forçam perigoso precedente. É a suicida tática do sequestro dos ritos democráticos em favor da intransigência. O êxito da estratégia é duvidoso, pois a democracia não pode aceitar quaisquer demandas nesses termos.

E causa profunda tensão, porque pululam greves aqui e acolá — bancários já cruzaram os braços, e petroleiros provavelmente o farão semana que vem. É temerário imaginar o que será do Brasil se toda paralisação usar do expediente extorsivo para conseguir o que quer.

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