Por bferreira

Rio - Os fenômenos aleatórios que mudaram o destino de nações em eleições presidenciais devem ser a base de referências para comentaristas políticos fundamentarem análises de tendências eleitorais. O físico Leonard Mlodinow, no livro ‘O andar do bêbedo’, cita exemplos de eventos imprevisíveis de candidatos que ganharam eleições contrariando previsões dos institutos de pesquisa.

No Brasil, temos uma série de casos de eleições que foram decidas na boca da urna, como o efeito da midiatização do arrastão que derrotou Benedita da Silva, em 1992, e a de Celso Russomanno, em São Paulo, que perdeu a eleição para Fernando Haddad após mobilização da Igreja Católica ao publicar a ‘Carta dos Bispos’ nas missas dominicais das igrejas da cidade paulistana.

A pesquisa do Datafolha fotografa o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, com 15% de preferência de votos. O crescimento das intenções no Eduardo não tem complexidade científica para ser analisado. Sua ascensão era prevista. Há dois anos ele percorre o Sudeste fazendo articulações com líderes empresariais, tem altos índices de aprovação nos seus dois governos e é sustentado por bases partidárias dos representantes dos donos dos agronegócios e das oligarquias conservadoras do ‘Brasil Rural’ — que comandam o Congresso com 273 representantes.

Marina Silva, ao desembarcar na sigla do PSB, partido simbólico de um socialismo de olho azul e de pacto de classes — empresários e oligarquias — com bandeira de gestão pública moderna, enterra os pilares da cartilha de uma militante da ecologia no mausoléu dos historiadores. O efeito Eduardo parece um romance de Marina com o ‘Conde Drácula de Pernambuco’, assessorado pelo mordomo, Ronaldo Caiado. Dilma está reeleita.

Economista e analista político

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