Por bferreira

Rio - Nas últimas semanas, foi divulgado nas principais redes sociais um curta mexicano, produzido pelo movimento Nuestro México del Futuro, que vem sendo exibido nas emissoras daquele país. O vídeo mostra crianças interpretando papéis de adultos. Até aí nenhuma novidade. Há muito tempo, meninos e meninas, muitos ainda bebês, interpretam adultos, como protagonistas ou figurantes. Do meu ponto de vista, uma prática extremamente exploratória (alguns casos vexatória), que de tão corriqueira já não mais gera reflexão na/da sociedade.

Mas o vídeo em questão não vende nada. Trata-se de uma reflexão/provocação sobre o atual modelo de vida dos adultos, marcado pela violência, drogas, exploração, corrupção, falta de solidariedade, desigualdade e injustiça. As cenas – comuns no nosso dia a dia, como a do político corrupto, a briga no trânsito, os assaltos e a fome das grandes cidades – chocam alguns que as assistem por ser interpretadas por crianças, que, ao final, dizem: se é este o futuro que nos espera, não, não queremos.

Não sei como o vídeo foi produzido, como as crianças foram preparadas. Mas com certeza interpretaram muitos papéis e situações que estão acostumadas a ver e conviver no seu cotidiano. Devem ter tirado de letra o tamanho desafio de gravar as cenas.

O que me assustou foi a surpresa de alguns internautas. Afinal, o que o vídeo mostra é a nossa realidade, por mais triste que seja. Ledo engano achar que elas, por serem simplesmente crianças, desconhecem as mazelas do mundo. Mais errado ainda é acreditar que elas são capazes de discernir entre o certo e o errado. E o pior: esperar que elas se tornem, por conta própria, pessoas/cidadãs mais éticas, solidárias, responsáveis e felizes sem a ajuda dos adultos. Sem as palavras, as conversas. Sem os exemplos. O vídeo pode ser visto neste endereço: http://m.youtube.com/watch?v=wpcK162Nu5s

Professor e jornalista especializadoem Educação e Mídia

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